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Coronavírus: o que são isolamento vertical e isolamento horizontal?

Grupo de Trabalho Multidisciplinar da UFRJ para Enfrentamento da COVID-19 faz esclarecimento

Com o aparecimento e a disseminação do novo coronavírus, uma situação sem precedentes, existe divergência de opiniões quanto às medidas que devam ser tomadas durante a pandemia da COVID-19 para diminuir o impacto causado na saúde da população, no sistema de saúde e na economia.

Essa divergência ocorre, principalmente, entre profissionais da área da saúde e cientistas, de um lado, e entidades governamentais, de outro. Existe também alguma divergência entre cientistas e governistas, mas a ideia aqui é apenas informar sobre os dois conceitos.

O isolamento horizontal, defendido pela maioria dos profissionais da área da saúde e cientistas, prevê a redução máxima do movimento da população. Essa restrição abrange o fechamento de shoppings, escolas, lojas, indústrias e universidades, por exemplo, reduzindo, assim, o contato entre as pessoas e a transmissão do vírus.

A principal crítica a esse modelo é o impacto econômico, pois há uma paralisação do mercado de trabalho.

A principal vantagem é relacionada à saúde pública. Como não temos condições de saber quem está infectado e transmitindo o vírus, o isolamento total tem maior chance de diminuir a transmissão do vírus e o impacto causado nos hospitais.

O isolamento vertical, iniciativa defendida por alguns grupos, prevê isolamento apenas de pessoas que fazem parte do grupo de risco ( idosos e indivíduos com doenças preexistentes) e pessoas já diagnosticadas com a COVID-19. Os outros indivíduos circulariam normalmente.

A principal crítica a esse modelo é que há uma grande probabilidade de impactar mais fortemente o sistema de saúde (hospitais). A principal vantagem é o menor impacto econômico, já que há continuidade do mercado de trabalho.

Como podemos prever, a adoção de uma ou outra forma de isolamento, certamente, causará um impacto diferenciado na progressão da doença e na população. Se tivéssemos condições de diagnosticar com rapidez todos os indivíduos positivos,, isolando-os rapidamente, poderia haver menor impacto nos hospitais, como aconteceu na Coreia do Sul. Em um contexto em que não sabemos quem está infectado, com uma população diversificada em vários níveis sociais e em cenários diferenciados, com famílias compostas por indivíduos de várias gerações morando na mesma casa, como acontece no Brasil, esse tipo de isolamento é muito perigoso, na opinião da maioria dos cientistas e médicos. É importante lembrar que crianças e jovens assintomáticos podem se tornar vetores para familiares e amigos vulneráveis.

Grupo de Trabalho Multidisciplinar da UFRJ para Enfrentamento da COVID-19