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Como agir em caso de enchentes: Água e alimentos

Segundo relatório da Organização Mundial de Meteorologia (OMM), o fenômeno climático La Niña deve persistir até, pelo menos, os meses de abril e maio, afetando a temperatura e o clima em diversas partes do mundo. O Por uma boa causa volta a enfocar meios de a sociedade se proteger das enchentes provocadas pelas chuvas.

Com a divulgação do relatório da Organização Mundial de Meteorologia (OMM) no final de janeiro informando que o fenômeno climático La Niña deve persistir até, pelo menos, os meses de abril e maio, afetando a temperatura e o clima em diversas partes do mundo, o Por uma boa causa volta a enfocar meios de a sociedade se proteger das enchentes provocadas pelas chuvas. Nesta edição, os assuntos abordados são os cuidados com a água e os alimentos em regiões afetadas pelo transbordamento de cursos de água.

De acordo com o diretor do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG/UFRJ), o infectologista Edimilson Migowiski, em situações de enchentes e catástrofes, os pilares da saúde pública ficam comprometidos. “Falhas no saneamento básico e no fornecimento de água potável, fundamentais na prevenção de muitas doenças, dão surgimento a vários tipos de infecções. Assim, é melhor não comer o que não se pode descascar, lavar e ferver”, afirmou o especialista.

Apenas alimentos acondicionados em embalagens invioláveis e não danificadas, segundo ele, poderiam, a princípio, ser ingeridos. Ele explicou que grãos, alimentos em sacos de papel ou plásticos que foram expostos a água de enchentes devem ser descartados, porque mesmo em embalagens do tipo longa vida e enlatados, há danificações imperceptíveis a olho nu que permitem a entrada de microorganismos.

A água mineral é a melhor opção, segundo Migowiski, para o consumo. No entanto,  como nem sempre isso é possível, o desejável é ferver a água e não apenas filtrar. “Em geral, a maior parte dos microrganismos (vírus, bactérias, protozoários e vários parasitas) são destruídos pela fervura da água por mais de 15 minutos”, informou.

Outra recomendação do infectologista é acrescentar hipoclorito de sódio, na concentração de 2,5%, na água. O produto pode ser encontrado em farmácias, mas caso haja dificuldade, esse é o nome científico da água sanitária. O produto não deve ter perfumes ou alvejantes na preparação para o consumo. Segundo Migowiski, uma colher de sopa de água sanitária em 1 litro de água não oferece riscos para os seres humanos e costuma ser eficiente para destruir agentes infecciosos.

No caso de utensílios de cozinha, tais como panelas, pratos e copos, em geral, basta lavar com água e sabão, além de dar uma fervura são suficientes para torná-los próprios para o uso. Desinfetar e limpar os locais de armazenamento também é necessário. É importante ressaltar, que o melhor é lavar com água corrente limpa e cloro. “Sabão pode impregnar os recipientes e dar gosto ruim à água. O segredo é: água limpa e cloro (ou água sanitária). Não se deve esquecer de enxaguar bem para retirar os resquícios de cloro”, explica o infectologista.

Migowiski também faz um alerta para as pessoas ao iniciar a limpeza dos pisos, paredes e móveis no retorno para a casa. Antes de tudo, é preciso fazer uma busca por animais peçonhentos, como cobras aranhas e escorpiões. Os pisos, de acordo com ele, podem ser lavados apenas com água e sabão. “Agora cuidado! A lama – e não apenas a água da enchente – pode conter bactérias e vírus que podem causar doenças em humanos. É necessário proteger as mãos, pés e pernas. Quanto maior o tempo de contato com a água ou lama, maiores são os riscos de contaminação”.