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Laboratório do Iesc amplia capacidade da UFRJ na educação

Um mergulho ousado da UFRJ para massificar a educação e aperfeiçoar profissionais na área da saúde no Brasil. É como as autoridades encararam a inauguração do Laboratório de Educação à Distância em Saúde Coletiva (Labead), na manhã desta segunda-feira (8/11), no Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da UFRJ (Iesc/UFRJ)

LabeadUm mergulho ousado da UFRJ para massificar a educação e aperfeiçoar profissionais na área da saúde no Brasil. É como as autoridades encararam a inauguração do Laboratório de Educação à Distância em Saúde Coletiva (Labead), na manhã desta segunda-feira (8/11), no Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da UFRJ (Iesc/UFRJ), na Cidade Universitária, no Rio de Janeiro.

De acordo com o Secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), Francisco Campos, representante do Ministério da Saúde, dentro da proposta de alinhar as universidades públicas brasileiras nos processos de capacitação dos profissionais de saúde, é a primeira vez que há um projeto voltado para a área de Saúde Ambiental, indo além dos atuais programas ligados à gestão do SUS e à área de atenção primária, a de Saúde da Família. “Estamos saudando muito que seja na mais tradicional universidade brasileira, a UFRJ, é na área de Saúde Ambiental, que é uma área importantíssima nos dias de hoje”.

O Labead será um centro de referência onde coordenações técnicas preparam cursos à distância e os tutores orientam os alunos. O espaço será dotado de sala de videoconferência para realização de palestras e aulas especiais. Em um primeiro momento, serão três cursos de capacitação e um de especialização acerca dos riscos à saúde por exposição a substâncias perigosas, da qualidade de água para consumo humano e sobre desastres ambientais. A unidade será um polo de treinamento para todo o país de profissionais de órgãos públicos federais, estaduais e municipais na área de Vigilância em Saúde Ambiental, aprimorando a Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (Una-SUS).

Para Francisco Campos, a atual capacidade de preparar profissionais para a área de saúde das universidades é bem reduzida frente aos desafios impostos por um país continental e com uma população do tamanho da brasileira. Ele tomou o número de pessoas que integram o programa Saúde da Família para exemplificar que mais de 1,7 mil universidades seriam necessárias para formar todos os 100 mil profissionais envolvidos. Na opinião dele, é preciso massificar a formação e a inauguração do Labead é “sem dúvida nenhuma um convite muito explicito para que a UFRJ oficialmente entre nessa rede (da Una-SUS)”.   

O diretor do Iesc, Roberto Medronho, ressaltou que somente nesse programa pioneiro de Educação à Distância de Vigilância em Saúde Ambiental, perto de 4 mil pessoas de todo o país até 2012 estarão capacitadas. Para ele, um dos desafios será usar a tecnologia para aproximar as pessoas sem perder o afeto necessário ao processo educacional que mantém o interesse e o entusiasmo dos alunos pelo conhecimento.

O representante da Organização Panamericana de Saúde (Opas), Félix Rigoli, o secretário de Vigilância em Saúde do governo federal, Gérson Penna, o secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, e o diretor da Faculdade de Medicina, Antônio Ledo, também apontaram nos discursos que realizaram a importância da integração entre saúde e educação, das parcerias entre as diversas instituições brasileiras no sentido de superar as dificuldades com o aproveitamento das inovações tecnológicas e a possibilidade de exportar o modelo para outras nações.

O reitor da UFRJ, Aloisio Teixeira, observou que a inauguração do laboratório do Iesc tinha a peculiaridade de colocar a Educação à Distância em evidência, apesar de a universidade, já há muito, estar envolvida com o sistema educacional em várias áreas. A modalidade, segundo o reitor, mais uma forma de combater o caráter elitista que envolve o ensino superior no país desde os primórdios. Teixeira acredita que há uma revolução no processo educacional nos últimos anos, mas ele é insuficiente para incluir a todos. “Diferente de outros países, construímos um modelo de educação à distância que acelera o processo de encurtamento de nosso atraso”, disse.

“O Labead inaugura a participação pública e ousada da UFRJ na atividade de educação à distância”, afirmou ele, lembrando que as soluções para o Brasil têm de ser tão grandes quanto os problemas e as políticas de educação e saúde não podem ser restritas a nichos, mas alcançar a massa. “Os equipamentos que estão sendo instalados não são para nós, eles não são para a universidade. Eles estão sendo colocados à nossa disposição para servir o país”, concluiu Aloisio Teixeira.