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Brasil e Índia: a meta é a cooperação

Os acordos comerciais entre os dois países foram os assuntos na pauta do evento realizado nesta quinta, no Centro de Tecnologia.

A relação comercial entre Brasil e Índia foi o tema da mesa-redonda Comércio Brasil–Índia e acordo de cooperação, ocorrida na manhã desta quinta-feira (13), no auditório da Coppe. O evento integra o ciclo de palestras Índia em Foco, que ocorre desde segunda-feira na UFRJ, e contou com a presença de Maria Clara Duclos Carisio, chefe da Divisão da Ásia e Oceania do Ministério das Relações Exteriores, e J. K. Tripathi, Cônsul Geral da Índia.

Durante a mesa-redonda, os diplomatas reafirmaram o interesse de aproximar os dois países. Maria Clara, representando o ministro Celso Amorim, salientou que o estreitamento de laços com a Ásia, em especial com Índia e China, foi um compromisso assumido por Lula no início do segundo mandato.

Para cumprir a promessa, o governo estabeleceu uma meta de comércio com a Índia: até 2010 devem ser comercializados 10 bilhões de dólares. “Infelizmente, a crise global pode prejudicar nossos planos, embora as exportações para a Índia continuem a crescer. O primeiro semestre de 2009 observou um aumento de 50% em relação ao ano anterior. Mas, hoje, em termos absolutos, o comércio não chega a 5 bilhões. É muito pouco, mas ainda temos muitos pontos da relação Brasil-Índia a descobrir”, disse, lembrando que, em 2003, o valor das transações comerciais com os indianos girava em torno de 400 milhões de dólares.

A diplomata destacou a importância de os dois países atentarem para nichos de mercado pouco óbvios mas capazes de criar benefícios. O ramo de alimentos processados, a indústria farmacêutica, a área de Biotecnologia e os biocombustíveis foram alguns dos nichos citados por Maria Clara. “A Índia também produz biocombustíveis a partir da cana-de-açúcar. Isso pode contribuir para projetos conjuntos e cooperação. Existem muitas ideias e possibilidades concretas, resta criar no nível do governo e na iniciativa privada um contato mais estreito”, sublinhou.

Em consonância com Maria Clara, J. K. Tripathi identificou semelhanças na Economia de Brasil e Índia, ponderando que o Brasil é um país mais extenso e a Índia mais populosa. O indiano pontuou que, embora as duas nações possuam um volume considerável de transações comerciais, elas comercializam pouco entre si.

Tripathi elencou alguns investimentos a serem explorados bilateralmente pelos países. Segundo o diplomata, a Índia poderia investir no ramo de papel e celulose no Brasil; em contrapartida, o Brasil deveria passar a importar o cimento indiano, já que pagaria preços inferiores aos cobrados pelos atuais fornecedores europeus. Açúcar e etanol são outros itens que, na opinião de Tripathi, merecem atenção por parte dos investidores brasileiros e indianos. “Poderíamos nos unir e oferecer açúcar e etanol para o restante do mundo. Combinando nossos mercados internos, sem dúvida, poderemos nos tornar gigantes mundiais em pouco tempo. O ideal é encararmos Brasil e Índia como colaboradores e não como concorrentes”, destacou.