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Comissão Especial “Mudanças Climáticas” na COPPE

O auditório do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE/UFRJ) sediou, nesta quinta-feira (23), uma audiência pública da Comissão Mista Especial “Mudanças Climáticas” do Congresso Nacional. Na ocasião estavam presentes os deputados Eduardo Gomes (Presidente da Comissão), Sarney Filho (Relator), os professores Roberto D’Araujo e Marcos Freitas, além do diretor da instituição Luiz Pinguelli Rosa.

 O auditório do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE/UFRJ) sediou, nesta quinta-feira (23), uma audiência pública da Comissão Mista Especial “Mudanças Climáticas” do Congresso Nacional. Na ocasião estavam presentes os deputados Eduardo Gomes (Presidente da Comissão), Sarney Filho (Relator), os professores Roberto D’Araujo e Marcos Freitas, além do diretor da instituição Luiz Pinguelli Rosa. Foram apresentadas aos parlamentares as pesquisas e propostas elaboradas pela COPPE e discutidas as mudanças climáticas e seus impactos no setor elétrico.

“Todos nós conhecemos o excepcional trabalho da COPPE no acompanhamento da questão climática e, portanto, viemos aqui antes de mais nada para ouvir, acatar e aproveitar sugestões; corrigir e incorporar alternativas para que possamos delimitar os caminhos a se percorrer, no objetivo de alcançar o tão desejado desenvolvimento sustentável. É dentro desta perspectiva que esta comissão se coloca”, iniciou Sarney Filho.

Luiz Pinguelli foi o primeiro a se pronunciar. O diretor é secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudaças Climáticas, que redigiu o Plano de Ação para Enfrentamento das Mudanças Climáticas enviado recentemente ao Presidente Lula, evidenciando os desafios para a expansão do setor elétrico brasileiro.

O professor afirma que o atual governo vem agindo de forma eficiente no setor, mas que ainda há muitos problemas não solucionados e erros sendo cometidos. Entre eles, Pinguelli destaca a inserção desordenada e caótica de termoelétricas no sistema de energia brasileiro, além da presença de sistemas isolados na Região Norte, que não permitem a devida integração do sistema com as demais áreas. Também criticou os impostos em tarifas residenciais no Brasil (muito altos em comparação com os demais países) e, principalmente, a gigantesca burocracia envolvida em processos de licenciamento.

“Devemos partir do princípio de que somos todos honestos até que se prove o contrário, e obviamente punir os infratores. No Brasil ocorre o inverso, todos são considerados desonestos e não se dá o devido crédito aos empresários, que tem que passar por uma burocracia enorme se quiserem investir em energia”, afirmou.

O professor Ronaldo D’Araujo tem posição semelhante a de Pinguelli quanto a questão da burocracia. Segundo ele, esse modelo é problemático, pois desestimula investimentos em projetos de geração de energia, com a demora nos processos de licenciamento. Afirmou também que esses investimentos não devem ser direcionados somente a construção de hidrelétricas, uma vez que a grande diferenciação não está no sistema hidrelétrico em si, e sim na quantidade de reservatórios que um país possui.

“Devemos ter grandes reservatórios, pois isso nos possibilitaria mais usinas a fio d’água, e evitaria essa grande quantidade de usinas inativas, afetando menos o meio-ambiente”, afirmou.

No final da sessão, foi aberto um espaço para perguntas e comentários dos demais presentes, entre eles pesquisadores, empresários e ambientalistas. Logo em seguida, os parlamentares visitaram, guiados pelo Professor Pinguelli, os laboratórios da COPPE envolvidos em pesquisas de energias alternativas e renováveis, como as instalações da usina que retira energia da força das ondas do mar e o Laboratório de Biodiesel.