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Rivalidade além do futebol

Instituto de Economia da UFRJ promove o seminário que compara a economia argentina à brasileira, mostrando em que o Brasil diferiu-se do vizinho na alavancada do crescimento econômico.

  

Nos dias 24 e 27 de novembro, o Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE/UFRJ) promoveu, no Salão Pedro Calmon, no campus da Praia Vermelha, o II Seminário sobre Questões de Políticas Econômica, com o tema “Por que a economia argentina cresce tanto e a do Brasil tão pouco?”. O objetivo: analisar o crescimento econômico argentino em comparação com o brasileiro.

O seminário teve um saldo positivo ao colocar em discussão comparativa as economias de dois importantes países da América Latina, e ao promover uma reflexão sobre como o Brasil tem caminhado.

Para João Sicsu, professor do IE/UFRJ, neste momento a discussão comparativa a respeito das economias do Brasil e Argentina é mais qualificada do que há dois anos atrás, por exemplo, quando se dizia que a Argentina crescia porque havia chegado ao fundo do poço. “A questão não é mais a de que a Argentina cresce porque não cresceu antes. O país, hoje, está fazendo mais do que ocupar capacidade ociosa, está realmente crescendo”.

Carlos Eduardo de Carvalho, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), creditou ao atual momento do país vizinho, o fato dele, ao contrário do Brasil, ter aproveitado as condições internacionais favoráveis do comércio, o alto superávit econômico, e o alto crescimento de importações e exportações. A respeito disso, Carvalho afirma: “no cenário internacional há espaço para heterodoxia, para formas diferenciadas; o momento é de tão alto grau de liquidez que se pode fazer barbaridades, como a Argentina fez com a moratória”, que, segundo ele, foi um bom recurso de manobra internacional.

Antonio Luis Licha, também professor do IE/UFRJ, ressaltou a importância do desempenho econômico argentino em relação aos indicadores favoráveis que o país apresenta: “O alto crescimento permite manter altas taxas de investimento no país, ou seja, há um aumento da demanda que é acompanhado pelos empresários”. Ele afirma que a dificuldade do Brasil em fazer investimentos se dá porque o país não cresce: “uma baixa taxa de crescimento pode impedir a decolagem da economia, levando a um círculo vicioso”.

Concorda com Licha, o professor Roberto Iglésias, do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento, que credita o crescimento argentino à nova capacidade do país em investir. Ele alerta, porém, que ainda há possibilidades de crises profundas devido à volatilidade da Argentina, que pode ser notada pelo estudo de sua economia ao longo do tempo: “ela alterna períodos de grandes euforias com períodos de grandes depressões”, afirma.

Também estiveram presentes os professores Fábio Sá Earp e Fabio Erber, do IE/UFRJ, como moderadores das mesas.