Categorias
Memória

Consciência Negra, um dia para não passar em branco

No próximo dia 20 de novembro será comemorado o Dia da Consciência Negra. A data foi escolhida em comemoração à morte de Zumbi dos Palmares, um símbolo da resistência negra.

 Dia 20 de novembro comemoriu-se o Dia da Consciência Negra. A data foi escolhida em comemoração à morte de Zumbi dos Palmares, um símbolo da resistência negra.

Ao longo do século XX, a origem do povo brasileiro e a questão racial foram temas recorrentes na sociedade. Diversas releituras da história brasileira foram feitas a fim de se pensar o significado da escravidão, sua repercussão no presente e na formação mestiça do povo. Zumbi tornou-se um herói ao lutar pela liberdade dos escravos. O resgate histórico de Zumbi dos Palmares visa reafirmar a importância dos povos de origem africana na formação da sociedade e da cultura brasileira.

A experiência do quilombo dos Palmares, no estado de Alagoas, foi o maior movimento de contestação à ordem escravista na história brasileira. No final da segunda metade do século XVII, Zumbi comandou a resistência contra tropas portuguesas, quando foi capturado e morto no dia 20 de novembro em 1695.

O economista Marcelo Paixão, diretor de graduação do Instituto de Economia (IE/UFRJ), que tem como uma de suas linhas de pesquisa desigualdades e exclusão sócio-raciais no Brasil, explica que “quando o movimento negro data a semana da Consciência Negra, não é para os negros tomarem consciência, e sim para que todo o conjunto de relações seja repensado”, e acrescenta que o “13 de maio, data da abolição da escravidão, passou a ser visto como um dia farsante porque trazia consigo a idéia da princesa Isabel como redentora”. Para ele, o Brasil não tem um ‘problema negro’ nem um ‘problema indígena’, e sim um problema de relações entre grupos.

Desafios para o século XXI

Marcelo Paixão considera que o desafio agora é pensar as questões do século XXI. Para ele, a intelectualidade brasileira sempre viu o Brasil como uma grande nação, como o país do futuro. “O problema é que no país do futuro os negros e indígenas ficaram como memória do passado”.

A questão chave para a civilização brasileira do século XXI é analisar a realidade dos grupos raciais brasileiros e suas diferenças. O professor explica como o mito da democracia racial foi um instrumento efetivo para evitar a discussão étnico-racial pela sociedade e pelos governos. “No Brasil, as pessoas podem viver todas juntas de uma forma fraterna desde que não sejam postas em questão as diferenças políticas, econômicas, simbólicas e estéticas. A melhor forma de não mudar a realidade é não discutí-la”.

Marcelo Paixão destaca que é necessário discutir o conjunto de relações sociais e o que significa racismo no Brasil, para depois estabelecer técnicas de superação desses problemas. “Vivemos numa sociedade hiper-urbanizada. Há também o problema da falta de oportunidade e a violência que se abate sobre a população, especialmente sobre o jovem e o negro”, afirma Marcelo. Para ele, é necessário refletir o próprio sentido da democracia e o que significa ser cidadão, “é ter seu discurso reconhecido independente da cor da pele, tipo de cabelo ou qualquer outra marca racial que sirva de elemento de classificação social”.