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Ministra da Cultura lança edital dirigido a jovens e visita CBAE

A cerimônia de lançamento do edital aconteceu na Escola Nacional de Circo, no dia 7/08.

Admar Branco

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, lançou quinta-feira (7) no Rio o Programa Comunica Diversidade 2014: Edição Juventude, concurso criado para premiar jovens de 15 a 29 anos com iniciativas de comunicação voltadas à cultura. O edital do concurso, parceria com a UFRJ e a FUJB, permite a inscrição de forma oral, livrando iniciantes da complicada burocracia das leis de incentivo fiscal. "Não será necessário o preenchimento de formulários. É muito melhor o jovem explicar visualmente como é a sua comunidade, num vídeo feito por ele mesmo, do próprio celular", explicou Américo Córdula, secretário de Políticas Culturais ligadas à pasta da Cultura.  

A cerimônia de lançamento aconteceu na Escola Nacional de Circo. A ministra explicou a escolha do local:

"Numa cidade, por exemplo, de 40 mil habitantes, onde o cidadão vai gastar os R$ 50 do Vale Cultura? Não tem museu, não tem cinema, banda larga muitas vezes não tem, para a pessoa comprar um livro pela internet. Agora, se tiver um circo, pronto: o circo chega lá!".

  

A diretora teatral Karen Acioly assistiu ao lançamento e aprovou o formato do programa: "As pessoas precisam desburocratizar tudo. O artista não é um tecnocrata; não podemos sair da nossa vocação, senão a gente acaba não fazendo".

Para a ministra, será uma experiência "para pessoas que nunca entraram em site de ministério para baixar um edital". Serão 10 prêmios para jovens entre 15 e 17 anos; 25, entre 18 e 24 anos; e 25, entre 25 e 29 anos. Todos os prêmios terão valor bruto de R$ 14 mil. As inscrições poderão ser feitas gratuitamente até 5/11, por formulário online, e-mail (comunicadiversidade@gmail.com) ou correio.

Severine Macedo, secretária nacional de Juventude, deu uma pista sobre um tema esperado nas inscrições. "Temos hoje 27 mil jovens assassinados por ano, o correspondente a 54% das mortes por homicídio no País. Mais de 70% são negros; e, desses, mais de 90% do sexo masculino, com idades entre 15 e 29 anos. Gostaríamos de debater a prevenção da violência contra a juventude negra".

O lançamento foi animado por acrobatas alunos da escola, que funciona há 32 anos, com cerca de 80 alunos hoje.  Teve a presença do reitor da UFRJ, Carlos Antônio Levi; do coordenador do Fórum de Ciência e Cultura (FCC) da Universidade, Carlos Vainer, da secretária nacional de Juventude, Severine Macedo; do presidente da Funarte, Guti Fraga; da secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural, Márcia Rollemberg; do professor de audiovisual do projeto Fábrica Verde, no Complexo do Alemão, Felipe Milhouse, e do secretário de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, Américo Córdula, que acompanhou a ministra em uma visita ao Colégio Brasileiro de Altos Estudos (FCC/UFRJ).

Na conversa com representantes de instituições de ensino do Estado do Rio de Janeiro, mediada pelo reitor Carlos Levi, a ministra ouviu sobre algumas dificuldades específicas. A professora de museologia Helena Uzeda, da UniRio, relatou problemas graves de infra-estrutura no campus da Urca, e a dificuldade para remunerar professores em projetos como Teatro na Maré e Teatro na Prisão. Já a pró-reitora de extensão em cultura do Instituto Federal Fluminense sugeriu maior presença do Iphan no interior do Estado, onde escritórios locais poderiam prevenir, com tombamentos, a perda de prédios históricos.

Para o Professor Carlos Vainer, a quinta-feira (7) foi um dia de gala para a UFRJ, o Fórum de Ciência e Cultura e o Fórum Interuniversitário de Cultura (FIC-RJ): "A ministra sinalizou alguns caminhos possíveis para o estabelecimento de uma agenda de trabalho com o FIC, que hoje, reunindo nove instituições públicas de ensino superior no Estado do Rio, representa uma iniciativa que pode ser frutífera também em outras unidades da Federação. A UFRJ funciona como articuladora com outras entidades que, juntas, em vez de competirem entre si, apostam numa colaboração que se firma como um modelo bem sucedido. Tanto que estamos em elaboração de uma Conferência Nacional Interuniversitária de Cultura".

Quanto ao edital lançado ontem, o coordenador do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ destaca dois pontos positivos: "Em primeiro lugar, abre o acesso a segmentos sociais e agentes culturais normalmente excluídos da possibilidade de desenvolver suas potencialidades.  O edital não privilegia os grupos mais estruturados, e se torna assim um vetor que democratiza o acesso à Cultura. Um segundo aspecto é a importância da colaboração da UFRJ com o Ministério da Cultura, reafirmando o papel da universidade pública como agente e protagonista das políticas públicas culturais. Assim damos cumprimento a uma diretriz importante, expressa no nosso documento "Você faz Cultura", cumprindo o desejo da plenária que traçou esta responsabilidade para a UFRJ. A parceria nos possibilita produzir uma pesquisa com mapeamento dos grupos culturais que irão operar com este novo instrumento de acesso à esfera pública da Cultura".

Fonte: http://www.forum.ufrj.br