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UFRJ forma primeiro Bacharel em Bandolim da América Latina

Kleber Kurt Vogel se tornou, na sexta-feira passada, 6 de dezembro, o primeiro aluno a completar o Bacharelado em Bandolim da UFRJ, curso pioneiro criado pela Escola de Música (EM) em 2010.

  

Em uma noite concorrida, que contou com a presença de compositores, instrumentistas, professores, familiares e amigos, Kleber Kurt Vogel se tornou, na sexta-feira passada (06/12), o primeiro aluno a completar o Bacharelado em Bandolim da UFRJ — curso pioneiro criado pela Escola de Música (EM) em 2010. Ele apresentou o recital de formatura e cumpriu, dessa forma, o último requisito necessário à obtenção do diploma.

Um feito que faz dele, segundo informou o diretor da EM, maestro André Cardoso,  o primeiro bandolinista a graduar-se em toda a América Latina. "O mérito não é meu, afirmou com modéstia, mas da instituição que soube acreditar em um instrumento que acumulou ao longo dos séculos um repertório significativo, ao mesmo tempo bonito e elaborado, e que atraiu o interesse de grandes nomes da música".

O bandolim, cuja origem remonta ao século XVI, não tem lugar garantido apenas na música popular. A nobre linhagem de compositores que escreveu para o instrumento inclui nomes do calibre de Vivaldi, Haendel, Mozart, Paisiello, Beethoven, Paganini e Verdi.

No século passado, para ficar em alguns exemplos, Mahler o incluiu nas suas 7ª e 8ª Sinfonias e em A Canção da Terra; Schönberg, na Serenata Op.24 e nas Variações Orquestrais Op.31; Webern, em Cinco Peças Orquestrais; Henze, em König Hirsch; e Stravinsky, em Agon.

Desse enorme acervo Vogel executou a Sonatina em Dó Menor para bandolim e piano de Beethoven. "A intenção foi dar colorido ao programa e, ao mesmo tempo, representar a produção dos grandes mestres dos períodos barroco, clássico e romântico", destaca.

As duas outras peças que integraram o repertório do recital foram o Concerto para Bandolim e Orquestra de Cordas, de Radamés Gnattali, a mais famosa criação brasileira para o instrumento, e uma Sonatina para bandolim e piano escrita especialmente para a ocasião por Roberto Macedo, compositor e docente da EM.

— A Sonatina foi um presente, disse. Macedo me falou da intenção de escrever a peça, para atender a um pedido do diretor da Escola e como forma de incentivar a escrita para bandolim. Conversamos bastante a respeito durante as aulas de contraponto. Ele pegou muito bem o espírito e os efeitos que o instrumento pode proporcionar.

A obra foi dedicada ao próprio Vogel e a seu professor, Paulo Sá – o primeiro docente do país a assumir uma disciplina de bandolim em nível universitário.

O contato de Kleber com o instrumento aconteceu por acaso, quando estudava em 1979 na Escola Villa-Lobos. Quem o apresentou foi o bandolinista Afonso Machado, músico do Galo Preto, famoso conjunto de choro. "Fiquei encantado com a sua sonoridade, mais acabei seguindo o curso de violino, que já estudava", lembra.

Vogel se formou pela Escola de Música, em 1989, e fez carreira como violinista da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) e de vários outras formações, incluindo grupos de Jazz Rock e Rock Progressivo. Continuou, porém, a cultivar o amor pelo bandolim e a tocá-lo ainda que "de forma esporádica e nada profissional", como fez questão de sublinhar.

Em 2010 leu no jornal que a UFRJ estava criando a habilitação em bandolim. "A chama pelo instrumento acendeu novamente. Procurei o Paulo Sá e preparei em tempo recorde o repertório para o Teste de Habilitação Específica (THE)", recorda.

Kleber passou no THE e conseguiu isenção do vestibular. Obteve também a liberação de várias disciplinas e pode terminar o curso em apenas três anos.