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Debates sobre raízes, alteridade, Comunicação e Cultura marcam o primeiro dia da Semana Muniz Sodré

O primeiro dia de debates da Semana Muniz Sodré contou com a mesa “Muniz e outras faces”. O evento prossegue até 20 de abril, no Salão Pedro Calmon, no Palácio Universitário da Praia Vermelha. 

 O primeiro dia de debates da Semana Muniz Sodré contou, na parte da tarde, com a mesa “Muniz e outras faces”. Tendo como local o Salão Pedro Calmon, no Palácio Universitário da Praia Vermelha, o evento reuniu a professora Narcimária da Luz, da Universidade do Estado da Bahia (Uneb); e Nizia Villaça, Márcio Tavares D´Amaral e Raquel Paiva (mediadora), da Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ. A Semana Muniz Sodré, que acontece de 16 a 20 de abril, reúne professores, pesquisadores e demais discípulos do homenageado, que completou 70 anos em 12 de janeiro deste ano.

Narcimária, educadora e pesquisadora de temas como a ancestralidade afro-brasileira, ressaltou a importância do pensamento de Muniz Sodré para “aprendermos a reconhecer o discurso etnocêntrico e racista que permeia a sociedade brasileira”. De acordo com a docente da Uneb, Muniz “tem uma ligação profunda com a territorialidade”, o que se reflete nos seus estudos acerca das raízes brasileiras e de temas como a capoeira, o samba e o candomblé. Para Narcimária, o professor da ECO-UFRJ tem o grande mérito de utilizar autores clássicos da Filosofia para buscar compreender melhor as origens e a contemporaneidade de nosso povo. “Só se pensa originalmente quando se pensa a partir de suas raízes. Adoro Heidegger, Platão e outros. Mas é preciso pensar as nossas raízes”, analisou.

Nízia Villaça destacou o trabalho de Muniz Sodré para uma reflexão sobre o conceito de alteridade e para o “esvaziamento do paradigma hegemônico”. Para a professora da ECO-UFRJ, “o conceito de cultura em Sodré propõe a incompletude de qualquer todo sistemático” e ajuda a “abolir a universalização de verdades”. Ao fazer uma reflexão acerca da obra do homenageado, Nízia recordou que, a partir dos anos 1980, Sodré “começa uma reação às receitas prontas”.  A professora citou ainda a narrativa de uma das obras do homenageado em que um adolescente negro de 13 anos levita durante uma visita a um consultório de Psicanálise. De acordo com a docente, “essa naturalidade com o estranho nos ajuda a nos aproximar daquilo que nos é diferente”.

Já o professor Márcio Tavares D´Amaral analisou a obra de Sodré a partir da perspectiva da Filosofia. De acordo com o professor da ECO-UFRJ, os textos do homenageado “são fortemente atravessados por Kant e Aristóteles”. Segundo D´Amaral, Muniz Sodré não se contenta com a descrição do fenômeno, “o que já seria muito”, mas, “ao procurar a transcendência, Sodré procura conectar Comunicação e Cultura, onde se situa o seu campo de estudos”. D´Amaral analisou ainda o conceito de bios midiático, de Sodré. De acordo com o docente, a ideia “nos permite fazer a crítica à produção de sentido do que vivemos hoje. E, ao fazer isso, chegamos à Paideia, ou seja, a libertação pela educação. A educação é a alegoria da caverna de Platão, a libertação do homem”, finalizou o professor da ECO-UFRJ.

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