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Efeitos da glicose sobre sistemas neuroquímicos da retina vascular e avascular

A retinopatia diabética é caracterizada por alterações vasculares da retina. “Entretanto, um número crescente de estudos tem evidenciado que alterações neurais ocorreriam antes do início das alterações vasculares serem detectadas", esclarece Raquel Maggesissi Santos, doutoranda do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF-UFRJ).

A retinopatia diabética é caracterizada por alterações vasculares da retina. “Entretanto, um número crescente de estudos tem evidenciado que alterações neurais ocorreriam antes do início das alterações vasculares serem detectadas. Adicionalmente, episódios recorrentes de oscilações glicêmicas em pacientes diabéticos tratados com insulina são preocupantes e poderiam interferir com a função retiniana”, esclarece Raquel Maggesissi Santos, doutoranda do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF-UFRJ).

O objetivo do estudo do IBCCF foi analisar o efeito da disponibilidade de glicose sobre aspectos neuroquímicos da retina utilizando principalmente a técnica de imuno-histoquímica. Foram utilizadas retinas de galinha ex vivo (1-4 dias pós-eclosão) incubadas em meio com baixa glicose (BG, 0mM ou 5,6mM de glicose) ou alta glicose (AG, 35mM de glicose), por 30 ou 60 minutos.

O resultado, segundo Raquel, foi que “a BG (glicose 0mM por 30 minutos; 5,6mM por 30 e 60 minutos) reduziu a imunorreatividade para GABA (IR-GABA) na retina, devido ao aumento da liberação deste neurotransmissor. A AG por 30 minutos pareceu induzir efeito oposto, indicado pelo aumento da IR-GABA na retina. A expressão de GAT-3 foi reduzida pela BG (glicose 5,6mM, 30 minutos) e aumentada pela AG (30 minutos), enquanto a expressão de GAT-1 foi reduzida por ambas as condições. Os efeitos da AG sobre a IR-GABA e IR-GAT-3 são dependentes da produção de óxido nítrico (NO). O aumento da IR-GABA detectada após 30 minutos não foi encontrado após 60 minutos de AG em células amácrinas, mas sim em células horizontais e da camada de células ganglionares. A AG prévia (30 minutos) preveniu parcialmente o efeito da BG (glicose 0mM, 30 minutos) sobre a IR-GABA numa subpopulação de células colinérgicas”.

O trabalho inclui também experimentos in vivo, induzindo hiperglicemia em galinha pela injeção de streptozotocina (STZ). “Após uma semana, encontramos os mesmos efeitos sobre o sistema GABAérgico relatados em retinas ex vivo, incluindo aumento da produção de NO. Utilizando diferentes marcadores, observamos alterações neuroquímicas nos principais tipos neurais da retina. A maioria dessas alterações não foi encontrada na retina de ratos Lister Hooded (28-30 dias pós-natal) injetados com STZ”, explica a pesquisadora.

O estudo concluiu que a liberação de GABA pode ser rapidamente regulada de acordo com a disponibilidade de glicose no meio e que a AG prévia modifica a resposta de células GABAérgicas/colinérgicas à BG. “A hiperglicemia, condição que antecede a retinopatia diabética, também promove alterações precoces em outros sistemas neuroquímicos da retina de galinha (avascularizada), mas a ausência da maioria destes efeitos na retina de rato (vascularizada) poderia sugerir que a presença da vascularização intrarretiniana retarda o desenvolvimento das alterações induzidas precocemente pela hiperglicemia”, finaliza Raquel.

Serviço

O estudo intitulado “Efeitos da glicose sobre sistemas neuroquímicos da retina vascular e avascular”, de Raquel Maggesissi Santos, teve a orientação da professora Patrícia Franca Gardino, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF-UFRJ). Sua apresentação acontece dia 2 de abril (segunda-feira), às 14h, no Anfiteatro Hertha Meyer (G1-022), no Centro de Ciências da Saúde (CCS-UFRJ), Avenida Carlos Chagas Filho, 373, bloco G – Cidade Universitária.