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Museu Nacional da UFRJ abriga peças africanas

A exibição de peças trazidas da África para o Brasil por negros escravizados no início do século 20 está em estudo pela prefeitura da capital fluminense. Um grupo de trabalho formado por historiadores e ativistas terá 30 dias para apontar a melhor forma de mostrar ao público objetos encontrados durante escavações para as obras de revitalização no sítio do Cais de Valongo, na zona portuária.

A exibição de peças trazidas da África para o Brasil por negros escravizados no início do século 20 está em estudo pela prefeitura da capital fluminense. Um grupo de trabalho formado por historiadores e ativistas terá 30 dias para apontar a melhor forma de mostrar ao público objetos encontrados durante escavações para as obras de revitalização no sítio do Cais de Valongo, na zona portuária.

As milhares de peças encontradas no cais estão guardadas no Museu Nacional da UFRJ. Entre elas, búzios, cachimbos, pedrarias, louças, ornamentos e uma infinidade de objetos de uso religioso. O grupo de trabalho, coordenado pela Subsecretaria de Patrimônio Cultural, se debruçará sobre esse material para realizar a futura exposição.

Os principais objetivos de promover este evento são preservar a memória africana na zona portuária, além de organizar um roteiro cultural na região. Partindo do Cais do Valongo, a ideia é estimular visitas ao Instituto dos Pretos Novos, seguindo o modelo do African Burial Ground, em Nova York, onde um antigo cemitério de negros livres e escravizados, ao ser descoberto, foi transformado em monumento.

Por enquanto só há hipóteses de onde o evento pode ser realizado. De acordo com o subsecretário da pasta, Washington Fajardo, não está nos planos da prefeitura a construção de um museu. Enquanto isso, o representante do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro (Comdedine) e integrante do grupo de trabalho, Giovanni Harvey, acredita que para decidir sobre como expor parte das peças é preciso analisá-las e inseri-las em um contexto adequado.