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Ipub: Assédio moral no trabalho em uma universidade

O Instituto de Psiquiatria (Ipub) da UFRJ realizou, dia 2 de setembro, palestra sobre o assédio moral no trabalho. Os palestrantes falaram a partir do significado da palavra “assédio”, cujo sentido é “deixar sem saída”, “cercar”, tirando da pessoa os meios de reação.

O Instituto de Psiquiatria (Ipub) da UFRJ realizou, dia 2 de setembro, palestra sobre o assédio moral no trabalho, tendo como foco da pesquisa a Unidade de Saúde da UFRJ. Participaram do encontro os professores Terezinha Martins dos Santos Souza (Universidade Federal do Recôncavo Baiano-UFRB), Marisa Palácios (UFRJ/Sesc), também coordenadora do grupo de Combate do Assédio Moral, e Márcio Amaral (ECO-UFRJ). Eles falaram a partir do significado da palavra “assédio”, cujo sentido é “deixar sem saída”, “cercar”, tirando da pessoa os meios de reação.

De acordo com os palestrantes, a questão do assédio moral apresenta-se frequentemente no mundo todo, tendo oscilações nas características das vítimas, conforme as peculiaridades de cada país. O estudo revela que as mulheres da Unidade de Saúde estão menos sujeitas ao assédio do que na maioria dos países da Europa, por exemplo. Além disso, um motivo de orgulho para a UFRJ é saber que nenhum caso de discriminação racial foi apontado e apenas um caso de desrespeito foi registrado por conta da opção sexual.

No entanto, a professora Terezinha explicou o porquê disso: “De fato, por se tratarem de empregos públicos, em que todos passam pelos mesmos critérios de avaliação, os concursados, mesmo aqueles pertencentes aos grupos mais atingidos pelos assediadores, entram psicologicamente mais confiantes”. Eles não sofreram preconceito no processo seletivo, então raramente reconhecem o preconceito no ambiente de trabalho.

Um fato relevante é que a pesquisa foi realizada no local de trabalho dos funcionários, o que causa certo constrangimento. “Michel Foucault ficaria felicíssimo observando a pesquisa. Estávamos em um verdadeiro panóptico”, disse. A professora acrescenta que se ultrapassou o panóptico, já que a observação foi feita por todos e a todo momento. Eles estavam, na verdade, em um sinóptico, pois, ao contrário do que se pensa, o assédio parte, na maioria das vezes, dos colegas, não tanto dos superiores.

Ao serem questionados sobre o motivo que leva alguém a assediar, a professora da UFRB foi sucinta: “O assédio é uma forma de gestão do trabalho, cujo objetivo é se livrar das pessoas que prejudicam os planos de poder de um determinado grupo vigente. Isso acontece, em geral, transformando as características dessas pessoas em defeitos”. E completou afirmando que “mesmo a mulher loira e atraente pode ser ludibriada, pois, sendo bonita, só pode ser burra, na visão de quem comete o assédio”.

Uma questão interessante foi o enlace feito entre assédio moral e assédio sexual. A princípio, um parece o oposto do outro, já que o primeiro remete ao desprezo e o segundo, ao desejo. Mas o assédio sexual pode se transformar em assédio moral depois de uma renúncia. A pessoa assediada pode se tornar vítima de perseguições, calúnias, enfim, de humilhação.

Finalmente, o assédio foi entendido como um processo inscrito no ambiente de trabalho no qual estão envolvidas pessoas de diversos tipos. A forma de enfrentá-lo não pode ser um problema para o assediado, uma vez que ter um ambiente de trabalho saudável é um direito garantido por lei.