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Curso de Relações Internacionais recebe diplomata Luiz de Castro Neves

A "II Rodada Latino-Americana", promovida pelo Laboratório de Estudos da América Latina (Leal), recebeu o diplomata Luiz Augusto de Castro Neves, na última sexta-feira (13/05), no auditório do prédio anexo do Centro de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ (CFCH).

 A "II Rodada Latino-Americana", promovida pelo Laboratório de Estudos da América Latina (Leal), recebeu o diplomata Luiz Augusto de Castro Neves, na última sexta-feira (13/05), no auditório do prédio anexo do Centro de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ (CFCH), no campus da UFRJ na Praia Vermelha. O diplomata falou aos alunos do curso de Relações Internacionais (RI) sobre a política externa brasileira no mundo pós-Guerra Fria e também abordou as antigas rivalidades e o discurso de integração entre os países da América do Sul.

De acordo com o ex-embaixador brasileiro em países como Argentina, China, Japão e Venezuela, a aspiração do Brasil em se tornar um ator global faz com que sua atuação vá além do regional. No entanto, em escala mundial, Castro Neves considera que a política externa brasileira é marcada pela ambiguidade. “Na época da Guerra Fria, mesmo com a separação Oeste e Leste, o confronto dava estabilidade às relações internacionais. Com o fim da confrontação e o início de um mundo unipolar, essa estabilidade foi abalada. Nesse cenário, o Brasil tem se caracterizado por relações ambíquas, em especial com seu principal parceiro, os Estados Unidos, e também com a China. Entre a nossa vizinhança [América do Sul], queremos vender, mas relutamos em comprar”, verifica.

No contexto pós-Guerra Fria, entre as características mais importantes para a globalização, Castro Neves citou a revolução tecnológica e das telecomunicações. Diante da internacionalização dos processos produtivos, a assimetria do Brasil diante dos países vizinhos ficou ainda mais visível. “Se em 1980, o Brasil tinha um terço do Produto Interno Bruto (PIB) sul- americano, nos dias de hoje, ele passa a ser responsável por 56% do PIB da região, ou seja, a assimetria só cresceu”, analisou o diplomata.
 
Mercosul

Castro Neves, que deixou o Japão poucos meses antes do tsunami que atingiu o país em março, serviu à Embaixada Brasileira em Buenos Aires, no auge da rivalidade entre os dois países. “Na década de 1970, mesmo no ápice do enfrentamento entre Brasil e Argentina, um país ainda era economicamente importante para o outro. De certa maneira, essa rivalidade e o clima de tensão serviam para manter o poder das ditaduras militares”, explica o diplomata.

Com o fim da ditadura militar no Brasil, na década de 1980, começaram a surgir os acordos de cooperação. “Houve uma distensão entre os dois países [Brasil e Argentina], que se propagou para os vizinhos na América do Sul, dando fim à política pendular”, explicou Castro Neves, em referência às relações de chantagem entre os países latino-americanos que apoiavam argentinos ou brasileiros, quando fosse conveniente. Nesse clima de cooperação, é criado, em 1991, o Mercado Comum do Sul (Mercosul), que, para Castro Neves, se encontra hoje diante de uma encruzilhada. “O Mercosul surgiu formalmente com a proposta de união aduaneira entre os países pertencentes ao grupo. Mas, hoje, se configura mais como uma zona de livre comércio imperfeita”, analisa. O diplomata ainda aponta a inclusão do Paraguai e Uruguai, países que também saíram de uma ditadura militar, como uma forma de incentivar os governos democráticos na América do Sul.

A falta de integração entre os países da América do Sul é reforçada, segundo Castro Neves, pela própria posição geográfica em que, voltados para o Pacífico ou para o Atlântico, “os países ficam de costas uns para os outros”. Nesse sentido, o diplomata destaca recentes ações de integração física, como a Iniciativa de Integração Regional Sul Americana (IIRSA), que continua sendo feita através da conexão das áreas de transporte, energia e telecomunicações.