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Processos revolucionários na América Latina em debate

O quarto módulo do curso de extensão “Teorias Sociais e Produção de Conhecimento”, voltado para membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), segue até esta quarta (04/08), debatendo os movimentos sociais e os processos revolucionários na América Latina.

O quarto módulo do curso de extensão “Teorias Sociais e Produção de Conhecimento”, voltado para membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), segue até esta quarta (04/08), debatendo os movimentos sociais e os processos revolucionários na América Latina. A iniciativa é uma parceria entre a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), o Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos (Nepp-DH) e a Escola de Serviço Social (ESS) da UFRJ.

Altair Lavratti, líder estadual do MST de Santa Catarina, defende a importância do curso “pela abrangência histórica, sociológica e geográfica que nos espaços tradicionais do conhecimento são dificilmente discutidos”. Graduado em Direito pelo Complexo de Ensino Superior de Santa Catarina (Cesusc) e pós-graduado em Direitos Humanos, Lavratti entrou no MST em 1990, onde permaneceu durante três anos na Secretaria do Movimento, em Chapecó. “Na primeira ocupação, em maio de 1985, três dos meus irmãos militaram. Em 1990, entrei no MST”, conta.

Lavratti fala ainda sobre a importância do diálogo entre trabalhadores rurais e urbanos. “Os trabalhadores sofrem das mesmas repressões. É fundamental discutir a organização da sociedade e as lutas sociais com profundidade, de modo a ter um olhar mais crítico da realidade”, analisa.

Militante do MST no Estado de São Paulo, desde 2005, a aluna Érica Aparecida da Silveira ingressou no movimento, a partir do projeto Comuna Urbana Dom Hélder Câmara, realizado no município de Jandira, na Grande São Paulo. Trata-se do primeiro "assentamento urbano" do MST, que se diferencia da forma de conjunto-habitacional por não ser um espaço exclusivamente de moradia. A Comuna Urbana congrega em seu território, além da moradia, uma escola infantil, um anfiteatro, praças e quadra esportiva, uma padaria comunitária, além de oficinas de música e costura.

Em 2006, Érica foi convidada a participar da direção regional na Grande São Paulo e hoje faz parte da Direção Estadual. A militante observa a importância do curso como “oportunidade de acesso ao conhecimento em um ambiente universitário, além de uma compreensão mais ampla da realidade social do país”.

O projeto de extensão também conta com militantes de outros movimentos sociais. A aluna Natasha Batusich, integrante da Consulta Popular de São Paulo, foi indicada pela coordenação do movimento para participar do curso. Criada em 1997, a Consulta Popular surgiu a partir da Conferência de Itaici, em São Paulo, com o objetivo de sistematizar as ideias e propostas progressistas para o país. Hoje, com milhares de militantes espalhados pelo Brasil, o movimento é, junto com o MST, uma das principais referências em organização de esquerda do país.

Natasha Batusich destacou a importância dos movimentos sociais ocuparem o espaço da universidade. “O curso fornece ferramentas e elementos teóricos para se pensar a realidade e o ‘fazer político’ no país. A dinâmica da militância, muitas vezes, está focada na prática e deixa a teoria de lado. É nesse espaço que refletimos se as nossas práticas correspondem com nossos princípios”, finaliza.