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Atenção às vítimas de violência doméstica

Evento realizado nesta quinta, dia 10, teve como objetivo incentivar a implantação de projetos para vítimas de violência doméstica e sexual.

Uma pesquisa realizada pelo DataSenado, em 2009, mostrou que 62% das entrevistadas disseram conhecer mulheres que já sofreram violência doméstica e familiar. Apesar de recorrente, a violência contra a mulher ainda é velada. Isso porque poucas são aquelas que tornam ressonantes as agressões sofridas no ambiente doméstico. Soma-se a isso o fato de que, nem sempre, as vítimas são adequadamente recebidas nos serviços de Saúde espalhados pelo país.
 
Ciente da importância do atendimento às mulheres — e não só a elas, mas também a idosos, crianças e adolescentes — que sofrem violência doméstica e familiar, Ludmila Fontinele, professora da Escola de Serviço Social (ESS) da UFRJ, organizou um mapeamento da atenção em saúde às pessoas em situação de violência doméstica e sexual no estado do Rio de Janeiro.
 
O primeiro diagnóstico do mapeamento foi apresentado na manhã desta quinta-feira, dia 10, no seminário “Políticas públicas e a construção de redes de atenção às pessoas em situação de violência doméstica e sexual”. O evento, que teve como principal objetivo incentivar a implantação de projetos para vítimas de violência, reuniu pesquisadoras do tema e representantes das secretarias de Saúde de diferentes municípios do estado. “Trinta e dois municípios responderam a nossa pesquisa. Ou seja, mais de um terço dos 92 existentes em nosso estado. Isso é uma boa resposta”, avalia Ludmila.
 
A pesquisa revelou dados que, embora embrionários, suscitam discussão. A equipe da professora Ludmila constatou, por exemplo, que a procura por atendimento se concentra na atenção terciária — médicos e hospitais — e que a maior parte dos municípios analisados não possui um local específico para atender as vítimas de violência familiar. “Verificamos também que os profissionais de um grande número de cidades acolhem, acertadamente, as vítimas através da priorização do atendimento e da escuta ativa”, afirmou Ludmila.
 
Como ponto negativo, a pesquisa apontou a forma de os profissionais de saúde lidar com a gravidez decorrente de violência sexual. Muitos encaminham as pacientes para o pré-natal sem oferecer a elas o serviço de aborto, garantido em lei desde 1940. Além disso, observou-se também que faltam capacitação, sensibilização dos profissionais e estrutura para a assistência às vítimas de violência. “Devemos, entre outras coisas, implantar programas e núcleos nos municípios, divulgar os serviços de atendimento, elaborar material educativo e criar um sistema de avaliação semestral das notificações compulsórias”, sugeriu Ludmila.
 
A pesquisa está disponível na internet na página da Escola de Serviço Social.