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Imagens que falam

Para o fotógrafo Thiago Barros, "as imagens precisam dizer alguma coisa".

O fotógrafo e laboratorista Thiago Barros, ex-aluno da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO), encerrou na última terça, dia 17, o ciclo de palestras “Fotografia contemporânea: arte e pensamento”. O palestrante contou a trajetória pessoal pela fotografia, enquanto exibia ensaios.

“Quando faço uma foto, faço primeiro para mim. Ela precisa me dizer alguma coisa”, afirmou. Adepto da imagem em preto e branco, Thiago Barros espera que suas fotos gerem reflexões e diferentes interpretações. Começou a fotografar ainda com 12 anos, quando entrou para o fotoclube Sociedade Fluminense de Fotografia. A relação com a técnica fotográfica se iniciou dois anos mais tarde

Sempre muito curioso, queria saber como o processo de captura de imagem funcionava. Mais tarde, tornou-se laboratorista para custear a revelação das próprias fotos. “Demora muito para pegar o jeito”, contou. “Só descobri que era bom quando pessoas grandes, como Evandro Teixeira, começaram a me procurar”, completou.

Além de fotógrafo do Jornal do Brasil, o palestrante também trabalhou para Walter Carvalho e Rogério Reis. “Como laboratorista, fico colocando meu olho de fotógrafo no trabalho dos outros”, disse. A produção fotográfica, no entanto, ficou de lado durante o tempo em que mais se dedicou ao laboratório. “O que me fez conciliar direito as duas funções foi a compra de uma impressora digital. Ainda uso o método analógico, mas só quando tenho tempo”, relatou. 

Segundo Barros, a vida dos laboratoristas ficou complicada no Brasil desde 2005. “Nesse ano, as grandes empresas pararam de produzir rolos de filme e papel de revelação”, lembrou. Apesar de a situação já ter se normalizado, a demanda no país é baixa e os produtos estão muito caros.

O fotógrafo mostrou alguns de seus trabalhos, como “Soledades” e “Vale do Jequitinhonha”. Além disso, exibiu fotos de Ansel Adams, Rosangela Renó e Miroslav Tchv, com o objetivo de indicar como a técnica pode ser usada na perfeição – caso de Adams – ou pode não ser empregada de forma alguma – caso de Tchv, que montava câmeras com sucata. “Você pode usar a técnica da forma que quiser, o importante é usá-la de maneira coerente”, ensinou.

Organizado pelos professores da ECO Antônio Fatorelli e Victa Silva, o ciclo de apresentações contou com cinco convidados, entre eles o artista Vik Muniz. O evento ocorreu no Salão Moniz Aragão, no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ (FCC), no campus da UFRJ da Praia Vermelha.