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O destino do Palácio Universitário em debate

Os integrantes do grupo de trabalho criado para elaborar o Plano de Ocupação e Uso da Praia Vermelha (POUPV) apresentaram, em reunião realizada nesta terça, dia 17,

Os integrantes do grupo de trabalho criado para elaborar o Plano de Ocupação e Uso da Praia Vermelha (POUPV) apresentaram, em reunião realizada nesta terça, dia 17, diferentes propostas quanto ao destino do campus da UFRJ na Praia Vermelha, mas em um aspecto todos afirmaram concordar: o Palácio Universitário, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), não oferece condições adequadas para abrigar atividades acadêmicas. As alternativas de ocupação do prédio continuam em debate. O grupo tem até o dia 9 de março para entregar relatório ao Comitê Técnico do Plano Diretor (CTPD). As unidades também estão sendo consultadas sobre a proposta de transferência e integração das unidades acadêmicas na Cidade Universitária. 

Na próxima reunião, programada para o dia 4 de março, a professora Beatriz Resende, coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura (FCC), vai apresentar as linhas gerais do projeto do FCC para utilização do espaço, respeitando as características arquitetônicas e o valor histórico do Palácio Universitário. Segundo Beatriz, em sua concepção original, o prédio não foi construído para este tipo de ocupação permanente e constante. Além disso, quaisquer modificações em sua estrutura para que as salas sejam adaptadas como locais de ensino contrariam determinações do Iphan. “Temos um prédio que devemos cuidar. É um privilégio a UFRJ possuir um prédio tão especial. Isso é insubstituível. Uma sala de aula pode ser construída em qualquer outro lugar e de uma forma muito mais adequada, sem esse improviso”, afirma.

Beatriz defende o uso partilhado do Palácio, ampliando a interação entre a UFRJ e a cidade. “A idéia é que esse espaço seja utilizado por toda a universidade, como uma porta de entrada e saída na relação com a cidade para divulgar nossa produção artística e científica. Se a gente pensar nesta proposta não como um projeto do Fórum, mas o Fórum como um projeto da universidade, isso pode funcionar muito bem”, afirma Beatriz. Ao longo de 2007, segundo dados da coordenadora do FCC, foram realizados 379 eventos no Palácio.

O grupo de trabalho também agendou uma outra reunião, marcada para o dia 6 de março, para apreciação do projeto de criação de um jardim público na área externa ao Palácio Universitário, dentro do campus da Praia Vermelha. A projeção será feita por Ivan Carmo, vice-prefeito da Cidade Universitária. A idéia de construção de um Centro de Convenções, que também está na pauta deste encontro, deverá ser apresentada por Marcos Jardim, diretor do Instituto de Psicologia.

Campo de futebol

Outro participante da reunião, o professor Ary Barradas, diretor adjunto do curso de Administração, afirma ser favorável à desocupação do Palácio Universitário, mas ressalta que a concentração das atividades acadêmicas na Cidade Universitária deve ser debatida de forma mais ampla por professores, alunos e funcionários em cada uma das unidades sediadas na Praia Vermelha. Ele se reunirá com os representantes dos cursos de Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE) para ouvir as demandas e levá-las para a próxima reunião do grupo de trabalho.

“Do ponto de vista de espaço, o Palácio Universitário não é um local adequado para instalação de uma faculdade. Não temos espaço para que os professores tenham um local de trabalho que permita desenvolver suas pesquisas durante as 40 horas de dedicação exclusiva. Entendemos também que, em razão das limitações do prédio, as salas de aula não oferecem conforto aos alunos”, reconhece Barradas.

Ary Barradas acha que a opção mais viável para expansão dos cursos que hoje estão abrigados no prédio histórico é ocupar os espaços vazios na Praia Vermelha, como o campo de futebol.  Contrário ao projeto de concentração das unidades na Cidade Universitária neste primeiro momento, o diretor defende o uso público do espaço do campus. Ele afirma ser radicalmente contra qualquer tentativa de utilização dos espaços vazios para exploração econômica por grupos privados, citando o exemplo do antigo prédio da Faculdade de Letras, no Centro da cidade. “Se hoje a comunidade achar que aquele espaço na Praia Vermelha deve ser utilizado para a criação de um jardim, concordo. Mas não pode ser para uso privado. Deve ter finalidade em prol do interesse público”, enfatiza.

O diretor da Escola Politécnica, Ericksson Almendra (representante da Administração Central, escolhido pelo reitor, de acordo com a resolução 14/2008 do Consuni), lembra que o Plano Diretor abre uma oportunidade inédita para que as ciências humanas sejam valorizadas e recebam grande volume de recursos com a sua transferência para a Cidade Universitária. O professor do Instituto de Economia Carlos Frederico Leão Rocha concorda com Almendra, salientando a importância da proximidade dos cursos para a criação de um ambiente integrado e multidisciplinar. “Não conheço nenhuma atividade do Instituto de Economia que não possa ser exercida na Cidade Universitária”.