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O futuro da integração sul-americana em jogo

Qual será o efeito da eleição de Barack Obama para os países da América do Sul? O projeto geopolítico de integração regional dos países do Continente ficará comprometido por disputas bilaterais, como a que atualmente ocorre entre Brasil e Equador?

Qual será o efeito da eleição de Barack Obama para os países da América do Sul? O projeto geopolítico de integração regional dos países do Continente ficará comprometido por disputas bilaterais, como a que atualmente ocorre entre Brasil e Equador?

Esses são alguns dos temas que prometem levantar polêmicas no Seminário América do Sul em Debate: Perspectivas da Integração, que será realizado nesta quinta (11/12) e sexta-feira (12/12),  no Salão Nobre do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ (Largo de São Francisco, nº 1).
O  objetivo central do evento – organizado pelo Laboratório de Estudos do Tempo Presente do IFCS/UFRJ –  é discutir os desdobramentos da política internacional da América do Sul para 2009. Diversos conferencistas estrangeiros já confirmaram presença.

Estarão em foco as ações dos países sul-americanos no âmbito doméstico, os acordos de desenvolvimento regional  e a possibilidade de estabelecer relações soberanas com superpotências, especialmente os Estados Unidos.
“Se agirem isoladamente, os governos da região não vão conseguir refundar seus países de forma independente”, observa o cientista político e professor da UFRJ, Arthur Bernardes do Amaral – um dos coordenadores do Seminário.

Ele cita como exemplo a posição do governo equatoriano de submeter à arbitragem internacional parte da dívida contraída com o BNDES para financiar a construção de uma usina hidrelétrica, o que poderia atrapalhar o futuro da integração regional.

Por conta desse conflito, o Eixo Multimodal Manta-Manaus pode ficar em “banho-maria” durante o ano que vem, na análise do pesquisador. Estratégico para a integração regional, o projeto pretende unir a cidade portuária de Manta, no litoral do Equador, com a de Manaus, por meio de estradas, aeroportos e vias fluviais.

“Essa ambiciosa obra pode criar um veio de escoamento da produção dos países andinos para o Pacífico, via bacia amazônica, que deixariam de depender exclusivamente do Canal do Panamá”, explica Arthur Bernardes do Amaral, que é mestre em Relações Internacionais e editor da Revista Habitus (IFCS/UFRJ).

Ele assinala, ainda, que a vitória do democrata Barack Obama nos EUA pode inaugurar uma era de mais diplomacia entre a potência do Norte e os países sul-americanos. “Obama anunciou como futuro Secretário de Comércio o governador do Novo México, Bill Richardson, que fala fluentemente espanhol e tem a confiança da comunidade latina. É um sinal de que os Estados Unidos podem voltar mais os olhos para a região”, conclui o pesquisador – que fará, durante o evento, uma exposição sobre cooperação regional e o impacto da eleição de Obama.

Confira aqui a programação completa do Seminário.