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Projetos discutem a cultura de Cabo Verde

Foram apresentados na Faculdade de Letras, no segundo dia da XXX Jornada de Jornada Giulio Massarani de Iniciação Científica, Artística e Cultural, trabalhos que discutiram a literatura, a arte e a cultura cabo-verdiana. Através dos projetos “Parábola Cabo-Verdiana: Almada e Figueira entre o éden e o hades” e “O mar e a mulher em Cabo Verde através da poesia de Vera Duarte e da pintura de Hileno Barbosa” apresentados por Vinícius Antunes da Silva e Giselly Pereira respectivamente, foram debatidos aspectos diversos da cultura desse arquipélago.

O primeiro projeto em questão partiu da poesia “Parábola sobre o castanho sofrimento”, de José Luís Almada, e da tela “Cabo Verde”, de Manuel Figueira, para retomar mitos de Cabo Verde e discutir o entrelaçamento de sua cultura com o Ocidente. Através da leitura da poesia de Almada com os presentes, o estudante pôde mostrar a influência brasileira na literatura de Cabo Verde: “de uma outra dentro da nossa terra / da ilha de todos os poemas / Pasárgada / de carne e espírito saciados”. Além disso, Vinícius Antunes propôs com o projeto a apresentação para a comunidade científica de obras ainda inéditas de autores do arquipélago. E concluiu afirmando que, através das obras apresentadas, fica claro que a arte cabo-verdiana reconta a história do país, dando voz aos que foram excluídos durante o período colonial.

Já o projeto de Giselly Pereira possui abordagem diversa acerca de Cabo Verde. Através de poemas de Vera Duarte e telas de Hileno Barbosa, a estudante avaliou as marcas do mar – como uma inquietação interior – e a da morte – como uma dramatização da condição feminina – no imaginário da mulher cabo-verdiana presentes nas obras como denúncia à experiência sofrida pela mulher no arquipélago que vê a população masculina sair do país em busca de melhores condições de vida e que luta ainda pela construção de uma nova mulher, livre das amarras do patriarcalismo. Há também a demonstração, nas obras, de certa inquietude inserida no contexto ambíguo de “o querer ficar e ter que partir” existente no país. A estudante ressalta, por fim, que a o debate presente nas obras é importante na medida em que utiliza o erotismo e a força da mulher de Cabo Verde para mostrar a busca das mesmas por seus direitos e expressão na sociedade.


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