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Amazônia em debate

A  Amazônia possui grande importância para a estabilidade ambiental do Planeta, mas vem sofrendo com a falta de políticas preservacionistas. Essa foi uma das conclusões a que se pôde chegar na entrevista concedida por Maria de Guadalupe Rodrigues, professora do Departamento de Ciência Política, Holy Cross College, MA, EUA, à Agência UFRJ de Notícias.

 A  Amazônia possui grande importância para a estabilidade ambiental do Planeta, mas vem sofrendo com a falta de políticas preservacionistas. Essa foi uma das conclusões a que se pôde chegar na entrevista concedida por Maria de Guadalupe Rodrigues, professora do Departamento de Ciência Política, Holy Cross College, MA, EUA, à Agência UFRJ de Notícias.

A professora participou de uma mesa redonda promovida pelo Programa de Pós-graduação em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social – EICOS, do Instituto de Psicologia da UFRJ. A mesa também contou com a presença de Sonia Correa, da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA), Rede DAWN e Observatório de Sexualidade e Política, e André de Mello e Souza, professor do Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), falando das trajetórias feministas globais, e da Campanha por acesso a medicamentos essências à AIDS, respectivamente.

A Amazônia

A importância da Amazônia para a humanidade não reside apenas no papel que desempenha para o equilíbrio ecológico mundial, mas também no fato de a região ser o berço de inúmeros povos indígenas e constituir-se numa riquíssima fonte de matéria-prima.

A professora Maria da Guadalupe, que realizou estudos sobre as estratégias de Mobilização das Redes Transnacionais de Ativismo Ambiental, questiona a ausência de políticas ambientalistas a nível local, que preservem todo esse ecossistema.

– Onde está o movimento ambiental hoje? Quem representa as grandes demandas ambientais? Quem hoje em dia consegue catalisar essa demanda nacional? – indaga a acadêmica.

Em contrapartida, o que se percebe, segundo ela, é uma multiplicação excessiva no número de Organizações Não Governamentais (ONGs), e que não há reconhecimento, por parte do governo, da autenticidade das mesmas. Dessa forma, a verba é repassada para as ONGs sem que haja preocupação com a capacitação.

Além disso, Maria da Guadalupe acredita que por não haver políticas ambientais representativas em nível nacional, abre-se um grande espaço para atores internacionais investirem sua metodologia de trabalho na Amazônia. De acordo com Guadalupe, no evento da ECO 92, os movimentos ambientais do terceiro mundo manifestaram-se dizendo que não era uma questão de proteger o verde, originalmente, e sim um caso de desenvolvimento sustentável, em que se quer o desenvolvimento econômico sem a destruição. Entretanto, para ela, hoje em dia não está clara a posição desses escassos movimentos.

A pesquisadora acredita que a solução pra Amazônia seja muito mais complexa do que fundo que o ministro do meio ambiente, Carlos Minc, pretende criar, compatível, inclusive, com a tendência não só do governo Lula, como da globalização, e da iniciativa privada. Contudo, segundo a professora, ainda existem falhas na maneira como o governo administra a Amazônia.

– É preciso que se leve a criminalidade a sério. Hoje em dia não se tem o controle de quem entra nas reservas. Esse sucateamento dos órgãos governamentais cria problemas enormes, aumentando essa porosidade – alarma Maria da Guadalupe.

A professora acredita que a ameaça da soberania brasileira sobre a região amazônica é algo impensável, mesmo porque não há nenhum exemplo histórico de áreas pertencentes a um determinado país terem sido ameaçadas por questões ambientais ou de direitos humanos.

– Você pode conceber como alguém entraria no Brasil, uma democracia, pra tomar o controle da Amazônia? É difícil até entender a atenção que tem sido dada a isso – questiona.

Maria da Guadalupe garante que as populações ribeirinhas, seringueiros, e tribos indígenas sabem exatamente o que querem, e têm se organizado para isso, impondo inclusive condições às instituições estrangeiras. “A sociedade civil cresceu, e tende a se fortalecer”, prevê a acadêmica.

Segundo ela, os grupos internacionais precisam, desesperadamente, para o trabalho deles, de legitimidade, o que implica num contato com a população local. Agora, esses grupos não vão sozinhos ao Banco Mundial, eles levam pessoas diretamente afetadas pelas problemáticas. “O trunfo principal pro lobby delas é a legitimidade”, enfatiza a pesquisadora.

Esses grupos internacionais agem das mais diversas formas, como por exemplo, financiando encontros com órgãos envolvidos na questão, e fazendo estudos “de perto”. Tudo isso porque fazem lobby pelo meio ambiente, e para fazerem esse lobby, precisam dessas informações.

– As estratégias principais de controle da Amazônia estão ocorrendo no exterior, e não estão, necessariamente, funcionando pra proteger as tribos indígenas locais, ou acabar com as pastagens. Elas estão sendo eficientes pra mudar as políticas do Banco Mundial – conclui Maria da Guadalupe.

Outros debates

O projeto do Programa EICOS ainda conta com mais duas mesas de debate, no dia 4 (14h às 17h – ONGS e Movimentos Populares na Luta contra a AIDS: Estratégias, Alianças e Desafios), no Auditório Professor Manoel Mauricio de Albuquerque, no CFCH – Campus UFRJ da Praia Vermelha (Avenida Pasteur, nº. 250), e no dia 11 (10h às 12h30 – Militância, Ensino, Pesquisa e Extensão: O Papel da Universidade na Transformação Social) de junho, no auditório do Instituto de Psicologia, no mesmo campus. 

Para mais informações sobre as mesas-redondas, confira o site http://www.psicologia.ufrj.br/pos_eicos/ ou entre em contato pelo e-mail ceciliams@ufrj.br.