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UFRJ em Alerta no combate à dengue

Foi realizado nessa terça-feira, dia 15 de abril, o UFRJ em Alerta: Dengue – Conheça e Combata. O evento, transmitido ao vivo pela WebTV da UFRJ (vídeo disponível na matéria), teve como objetivo esclarecer ao público a realidade da epidemia de dengue no Estado do Rio de Janeiro e oferecer aos participantes orientações de como combater o mosquito responsável pela transmissão da doença em sua comunidade.


  Assista a matéria do evento: UFRJ em Alerta, no combate a dengue
  
Integra em vídeo do evento: UFRJ em Alerta, no combate a dengue

Foi realizado nessa terça-feira (15), no auditório Rodolpho Rocco, no Centro de Ciências da Saúde (CCS), o UFRJ em alerta, que reuniu especialistas  da universidade com o objetivo de ampliar o diálogo com a sociedade e auxiliar na prevenção e combate ao mosquito Aedes Aegypt, o principal vetor da dengue.

O evento, transmitido ao vivo pela WebTV da UFRJ,  contou com a participação do professor Almir Fraga, decano do CCS, Edimilson Migowsky, infectologista e chefe do setor de infectologia pediátrica do Instituto de Pediatria e Puericultura Martagão Gesteira (IPPMG), Roberto Medronho, chefe do departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina, Mário Alberto Silva Neto, do Instituto de Bioquímica Médica, Davis Ferreira, chefe do departamento de Virologia do Instituto de Microbiologia Prof. Paulo de Góes (IMPPG) e o virologista Maulori Cabral, também professor do Instituto de Microbiologia.

Para Migowsky, a situação que vivemos é resultado do descaso, da omissão e da incompetência das autoridades públicas. Embora os números oficiais indiquem alarmantes 80 óbitos em 80 mil casos notificados, em 2008, Migowsky acredita que esse número seja subestimado e que 10% da população do Rio de Janeiro tenha sido infectada nos últimos seis meses.

Na avaliação de Mário da Silva Neto, a melhor forma de combate ao Aedes Aegypt é não deixar a larva nascer. Inseticidas e repelentes não são tão eficientes. Os mosquitos adquiriram resistência a inseticidas como o DDT. “Nossa indústria farmacêutica não consegue acompanhar a adaptabilidade dos mosquitos”, lamenta Silva Neto.

O Brasil já foi afligido pelos tipos 1, 2 e 3 da dengue, e o tipo 4, que está presente na Venezuela, chegará ao Rio de Janeiro. “É apenas uma questão de tempo”, prevê Davis Ferreira. Cada pessoa que tenha sofrido com a dengue, torna-se imune ao tipo que foi contaminada. No entanto, pode sofrer contágio dos outros três tipos de vírus e apresentar uma infecção ainda mais agressiva. Não obstante, “mais de 50% dos infectados não manifestam a doença, ou a têm de forma branda”, esclarece Ferreira.

Os sintomas da dengue incluem dor de cabeça, dores musculares, enjôo, vômito, falta de apetite, gosto ruim na boca, cansaço, depressão, sangramento e manchas vermelhas. A febre, sintoma que assusta muitas pessoas, não traduz a gravidade da infecção, e ao contrário das dores no abdome (sinais de possível lesão hepática), vertigens e vômitos que indicam o agravamento do caso.

De acordo com Medronho, mais de cem países já registraram casos de dengue. O que tende a se agravar com o aquecimento global, a urbanização desordenada, as intensas trocas comerciais e viagens de turismo e o controle deficiente dos mosquitos.

Para Medronho, a sociedade é vítima dessa situação. “A responsabilidade é dos entes públicos. A reação à reinfestação foi muita lenta. O número de casos notificados em janeiro foi vinte vezes superior ao esperado. Isso já compunha um quadro de epidemia, embora as autoridades o negassem”, critica o professor.

O professor Malouri Cabral, que expôs a dramatização A fuga do Aegypt: em busca da água prometida, voltada à conscientização das crianças visando à erradicação educacional da doença, protestou contra o “desligamento” de pessoas que não foram afetadas direta ou indiretamente pela dengue. Para Cabral, “a vida humana não tem preço e qualquer gesto que possa salvar a vida de nossos pares é um gesto de cidadania”.

Além de transmitir dengue, o Aedes pode veicular mais de duzentas doenças, dentre as quais: febre amarela, encefalite viral, febre do oeste do Nilo e malária. Os mosquitos não nascem com esses vírus, mas de oito a doze dias após terem sido infectados tornam-se vetores dos mesmos.

O UFRJ em Alerta, uma iniciativa do Centro de Ciências da Saúde, contou com o apoio da Pró-reitoria de Extensão, do Gabinete do Reitor e a colaboração do Banco do Brasil e do Instituto Virtual da Dengue do Estado Rio de Janeiro/FAPERJ.

Veja mais sobre a dengue

No programa WebTV da UFRJ, desta semana, assista a uma matéria especial sobre a dengue. Doença que já se transformou em um dos maiores problemas de saúde pública do município do Rio de Janeiro. 

Especialistas da UFRJ falam do problema e esclarecem algumas questões. O programa apresenta, ainda, trechos do curta "O mundo macro e micro do mosquito Aedes aegypti", produzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).