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Memória

Um lugar de memória para o vestuário

A Escola de Belas Artes (EBA) criou um o Centro de Referência Têxtil/Vestuário para abrigar um acervo de imagens, videoteca, teciteca (acervo de tecidos) e um acervo de trajes e acessórios.

 Apesar de fazer parte do dia-a-dia de todas as pessoas, somente determinado grupo se dá conta que o vestuário é um elemento histórico, marca tempos e épocas distintos. Para contar a história e a arte dessas peças tão importantes, o curso de Artes Cênicas, Habilitação em Indumentária, com mais de 30 anos de existência, criou o Centro de Referência Têxtil/Vestuário. Ele abriga materiais pedagógicos, acervo de imagens, videoteca, teciteca (acervo de tecidos) e acervo de trajes e acessórios. O Centro, criado a partir da demanda dos alunos de Indumentária em 2005, está à disposição dos estudantes do Curso de Artes Cênicas e pode também ser utilizado por todo corpo discente da Escola de Belas Artes (EBA).

De acordo com a coordenadora do curso, professora Cristina Volpi, o Centro de Referência Têxtil/Vestuário contribui para dinamizar os recursos oferecidos aos alunos em sala de aula. “Estes recursos pretendem estimular o aluno, incentivando a pesquisa e, conseqüentemente, o melhor resultado dos trabalhos desenvolvidos, principalmente, os de conclusão de curso”, explica a professora afirmando, ainda, que o Centro fornece também aos pesquisadores subsídios específicos na área de têxtil/ vestuário e outras correlatas.

A organização do acervo, atualmente, é realizada pelos bolsistas do Núcleo de Estudo e Pesquisa em Artes Cênicas (NEPAC), que organizam o banco de imagens, a videoteca, a teciteca e estão criando os parâmetros para a organização do acervo de trajes e acessórios.

A criação do Centro, para Fernanda Garcia, que é bolsista de iniciação científica e trabalhou na construção do projeto, ajudará os estudantes em suas pesquisas, encurtando os processos existentes neste percurso.

Além disso, a estudante ressalta que existe a pretensão de criar uma Associação de Amigos do Centro de Referência para angariar recursos tanto materiais (peças, livros, vídeos, entre outros) quanto financeiros. “Muitas peças do nosso acervo foram doadas. Essa ajuda é fundamental para a manutenção dele”, explica.

O curso

O curso de Indumentária tem como prerrogativa capacitar o aluno a ler, pesquisar, analisar, criar e projetar figurinos, através de diversas técnicas de representação – desenho, aquarela, guache, colagem etc. Ele habilita o aluno a reconhecer os elementos da linguagem visual – formas, cores, texturas, proporção etc. – como recursos para esta representação. A coordenadora do curso ressalta “que o estudante é estimulado a entender como linguagem e representação material e gráfica vestimentas de diversas culturas passadas e presentes”. Uma forma de exercitar esse reconhecimento, ainda na opinião de Volpi, são as atividades praticadas em sala de aula.

A coordenadora destaca ainda que a participação nas práticas de montagens realizadas na Escola de Música e no Curso de Direção Teatral facilita a inserção do estudante no mercado de trabalho. Além disso, montagens teatrais, cinematográficas e o carnaval constituem boas oportunidades para os alunos.

O curso de Indumentária firmou um convênio com o Museu do Traje de Madri, onde o aluno pode estudar, e as horas serão contabilizadas como créditos. Fernanda Garcia explicou que a intenção é fazer novos acordos internacionais.

As disciplinas

Dentre as diversas disciplinas oferecidas pelo curso, a de Corte e Montagem, a Oficina de Têxteis e as de Indumentária contribuem prática e empiricamente para o estudo do figurino. A coordenadora ressalta que a pesquisa de campo nessas áreas leva o aluno a vivenciar a investigação de materiais e a realização do levantamento de preços, necessários para a elaboração de projetos.

As disciplinas teóricas atendem às necessidades do estudo dos gêneros e estilos dramáticos como, por exemplo, o drama heróico, a tragédia, a comédia, a farsa, o melodrama, o épico, o monólogo, o musical, entre outros. Elas trabalham também os contextos históricos, sociais, culturais em que os gêneros e estilos se desenvolveram, da origem das artes cênicas até os desdobramentos no mundo contemporâneo.

De acordo com Volpi, essas disciplinas oferecem um primeiro contato com a sintaxe, o conteúdo e os conceitos da criação de trajes e beneficiamento de materiais têxteis, além de trabalhar com técnicas de tingimento, de envelhecimento de materiais, de texturas e com técnicas de corte e montagem. “Com isso, é possível aprofundar temas, problemas específicos das etapas de elaboração dos figurinos, dos acessórios, dos adereços cênicos, proporcionando o embasamento do trabalho de criação, confecção, de representação de elementos cênicos, e estimulando a criatividade do olhar do figurinista como fundamento da visão contemporânea das artes e do mundo”, enfatiza.