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Memória

Novas instalações do Centro de Referência de Mulheres da Maré Carminha Rosa são inauguradas

O Núcleo de Estudo de Políticas Públicas em Direitos Humanos (NEPP – DH) da UFRJ inaugurou as novas instalações, com o apoio da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM/PR) e a Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH/PR), o Centro de Referência de Mulheres da Maré Carminha Rosa. 

 O Núcleo de Estudo de Políticas Públicas em Direitos Humanos (NEPP – DH) da UFRJ inaugurou as novas instalações, com o apoio da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM/PR) e a Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH/PR), o Centro de Referência de Mulheres da Maré Carminha Rosa. 

A mesa do evento contou com a presença do Reitor da Universidade Aloísio Teixeira, do Decano do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFRJ Marcello Castro, da Ministra da SPM/PR Nilcéa Freire, da Diretora do NEPP-DH Suely Souza de Almeida, da representante da SEDH/PR Ângela Radis, da coordenadora do CRMMCR Eliana Amorim Moura, da representante do UNIFEM (Fundo das Nações Unidas para as Mulheres para o Brasil e o Cone Sul) Júnia Puglia, da representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento Ana Benzolt, Superintendente Técnico Científico e Cultural da FUJB Helena Ibiapina, e da Diretora técnica do Posto de Saúde da Vila do João Ana Lúcia de Castro.

Cerimônia de Inauguração
A mesa homenageou a pedagoga Carminha Rosa, com muitas reações emocionadas. “Estamos muito honrados diante da homenagem à Carminha”, afirmou Ângela Radis. Ana Denzolt a homenageou dizendo que “Além de uma grande amiga era alguém que fazia com que as pessoas conversassem umas com as outras e construíssem em conjunto”. A militante dos direitos humanos das mulheres também foi lembrada por Júnia Puglia. “Esse projeto não seria o que é hoje se não fosse pela Carminha”, disse ela, observando que Carminha fazia aniversário no dia da não-violência à mulher.

Suely de Souza Almeida aproveitou o momento para contar a história do Centro. “Tudo começou com o programa regional do BID. O conselho nacional de direitos da mulher não tinha personalidade jurídica, entre outros problemas. Carminha assumiu a direção nacional do programa e promoveu diversas campanhas e iniciativas pelo desenvolvimento. O CRMM era a menina dos olhos dela e aqui promovemos um trabalho que tem continuidade”, declarou ela. “Foi então que Carminha pediu que a UFRJ assumisse os trabalhos lá. Ela me convenceu lembrando a importância da função social da universidade”, relembrou.

Eliana Moura teve que segurar o pranto para falar da pedagoga. “Que saudade da risada dela. É do tamanho das fartas gargalhadas da Carminha esse sonho, que está sendo espraiado por toda a universidade”, afirmou a coordenadora do CRMM. Marcello Macedo disse que iniciativas como essa o fazem ver que vale a pena o trabalho que fazem diariamente.

A ministra Nilcéa Freire falou da inauguração de outro centro de referência para mulheres, mas na Ilha do Fundão. “Em breve poderemos inaugurar o Centro do Fundão, que será um nó estratégico para o Brasil. Precisamos de um pólo de capacitação, treinamento, pesquisa, de teste de novas práticas na área. Vão ter aqui duas unidades – o CRMMCR e o da Cidade Universitária – referências importantes para todo o Brasil”, explicou.

O Reitor da UFRJ Aloísio Teixeira encerrou a cerimônia. “Não conseguiremos formar jovens com qualidade se a extensão não for parte integrante desta. Espero que a discussão da reestruturação da universidade seja a oportunidade para a abertura de espaços para a função social da UFRJ” finalizou ele.

A Luta pelos Direitos das Mulheres
O trabalho no centro tem uma grande importância na área, já que atende não só a demanda do bairro da Maré, mas também a das áreas na região. De acordo com a coordenadora do projeto, Eliana Moura, o CRMM-CR oferece atendimento de psicólogas, assistentes sociais e advogada, mas não se restringe a isso, já que não seria o bastante. “É preciso que elas voltem a ter as rédeas de si como cidadãs e sujeitos históricos”, afirmou a professora.

Para alcançar esse objetivo, a iniciativa conta com diversas oficinas como a de educação artística, a de expressão corporal, de teatro e a de leitura. Um outro destaque é a oficina de educação não-sexista, bem como as oficinas de arranjos florais em uma perspectiva de educação empreendedora de geração de trabalho e renda. “As oficinas de educação não-sexista são desenvolvidas em escolas do bairro para que professores possam realinhar suas aulas de acordo com os novos parâmetros curriculares, desconstruindo preconceitos, sobretudo o de gênero”, declarou Eliana Moura.

A ministra Nilcéa Freire destacou a importância da UFRJ no projeto. “Se não fosse a disposição da UFRJ de assumir esse centro, não teríamos essa oportunidade; será um pólo de pesquisa e intervenção na violência” disse ela. De acordo com a coordenadora do centro, a importância acadêmica, nos dois anos e oito meses nos quais a UFRJ assumiu a coordenação da iniciativa, já é substancial – o CRMM foi apresentado em congressos internacionais no Canadá e na cidade de Córdoba, além de ter sido tema de quatro trabalhos de conclusão de curso, dois de mestrado em curso e de diversos trabalhos apresentados em jornadas científicas.

Está sendo construído um novo centro de referência para mulheres na Ilha do Fundão. De acordo com Eliana Moura, o novo espaço irá contar com 16 gabinetes de atendimento, além de estruturas de cinema, teatro, salões de produção e grandes salas para o desenvolvimento de oficinas. “A idéia é que ele possa se constituir em um centro piloto de formação para espalhar a experiência pelo Brasil” finalizou a professora.