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No tempo dos dinossauros e a origem do Petróleo

Desde o dia 6 de outubro, a Casa da Ciência e o departamento de Geologia da UFRJ realizam a exposição “Caminhos do Passado, Mudanças no Futuro”, idealizada por Ismar de Carvalho, coordenador do departamento de Geologia e professor de paleontologia da UFRJ.

 Desde o dia 6 de outubro, a Casa da Ciência e o departamento de Geologia da UFRJ realizam a exposição “Caminhos do Passado, Mudanças no Futuro”, idealizada por Ismar de Carvalho, coordenador do departamento de Geologia e professor de paleontologia da UFRJ. A mostra propõe um “passeio” pela história do planeta Terra, desde a reprodução de uma floresta jurássica e de um dinossauro brasileiro, até a formação do petróleo ao longo do tempo e suas formas de exploração.

A exposição é aberta ao público e recebe visitas de diversas escolas até o dia 27 de janeiro, com breve recesso para manutenção entre os dias 22 de dezembro e 1º de janeiro. Nesta terça-feira, dia 9 de outubro, a Agência UFRJ de Notícias esteve na Casa da Ciência, acompanhando a visita de duas escolas do Rio de Janeiro, entre elas, o Instituto Benjamin Constant, que realiza um belo trabalho com deficientes visuais, desde alfabetização no sistema Braille e atendimento médico, a orientações sobre mobilidade e atividades da vida diária.

O percurso
A “viagem” começa num túnel do tempo, onde os visitantes passam por painéis ilustrados com acontecimentos que marcaram cada etapa retratada. O último representa a época dos dinossauros, encaminhando o público para a próxima parte da aventura: uma floresta do período Jurássico. A reprodução da floresta conta com árvores e plantas cenográficas interagindo com sons de passos e rugidos de dinossauros, que contribuem para estimular a imaginação do visitante. Ao longo desse caminho, estavam expostos troncos de pinheiros, com mais de 150 milhões de anos. Fernando Bastos Aragão, um dos mediadores da exposição e graduando do 2º período do curso de Geologia da UFRJ, explica que esses troncos estão petrificados: “ao longo de todos esses anos, eles perderam água e acumularam grande parte dos sais minerais, o que lhes confere a aparência de pedra e os torna mais pesados”, conta.

A terceira etapa da visita consiste na projeção de fragmentos de âmbar que conservaram intactos pequenos insetos pré-históricos. O mediador esclarece então que essa substância, o âmbar, é uma resina vegetal que se origina da seiva dos pinheiros e que conservou intacto, por milhões de anos, toda a estrutura desses pequenos animais e não apenas o esqueleto dos mesmos.

Em seguida, o visitante chega finalmente ao salão onde se encontra a parte mais esperada do percurso: A representação de um dinossauro brasileiro e de seu fóssil, que será montado ao longo da exposição. Jéssica, de 16 anos, aluna do Instituto Benjamin Constant, se encantou ao tocar o crânio do dinossauro. “Os dentes dele são tão grandes”, disse. A réplica representa o Baurusuchus salgadoensis, um dos ancestrais dos crocodilos, encontrado na cidade de General Salgado, em São Paulo. O fóssil, de 90 milhões de anos, foi descoberto por Iésio Felício, na época aluno da 6ª série, que encontrou um dente do Baurusuchus e o levou para a escola, despertando a curiosidade de pesquisadores e dando origem à descoberta de uma nova espécie.

Ainda nesse salão, o público pode interagir com diversas aplicações, como o grande globo terrestre representando a Terra no período Triássico, quando havia apenas um único continente: a Pangéa; um computador que apresenta a história geológica do Planeta, desde o período triássico, passando pelo Jurássico (quando os continentes se dividiram em dois grandes blocos, Gondwana e Laurásia), Cretáceo (origina-se o Oceano Atlântico, pela separação da América do Sul e África), Paleógeno (período da grande extinção dos dinossauros e surgimento dos mamíferos) e Neógeno (época das grandes glaciações e surgimento do homem), até chegar aos dias atuais; fósseis de peixes e cefalópodes pré-históricos, entre outros materiais expostos.

Num segundo salão, os visitantes relacionam-se com materiais explicativos sobre a formação do petróleo. São apresentados vídeos explicativos sobre a utilização, exploração e origem do mesmo, permitindo também interações com o público. Além dos vídeos, apresentam também outras formas de contato, como exposições de figuras de microorganismos que auxiliam na formação do petróleo; um painel luminoso com o mapa do Brasil que, de acordo com a legenda e o botão que a pessoa pressionar, indica as reservas de petróleo existentes no país; um esquema relacionando o material orgânico decomposto e o combustível fóssil (petróleo, óleo e gás natural) que origina; uma maquete descrevendo a decomposição dos minerais na superfície terrestre que, sob determinadas condições de temperatura e pressurização, por exemplo, originam esse combustível; microscópios focalizando a estrutura do petróleo.

O projeto

Segundo Fernando, o objetivo da exposição é apresentar a história da Terra. “Nossa proposta é mostrar aos visitantes como os acontecimentos do passado, os abalos sísmicos, a era do gelo, a deposição de sedimentos, refletem-se no futuro e ajudam a entender o hoje. O petróleo, uma das maiores riquezas da sociedade contemporânea, é o maior exemplo dessas transformações que o planeta passou ao longo de milhares de anos” exemplifica o estudante.

A intenção do projeto é divulgar a Ciência de forma acessível à população. Esse caráter da exposição pode ser percebido pelo projeto da Casa da Ciência “Clube dos Descobridores” que, nos fins–de-semana, disponibiliza o acesso a computadores, livros, dvd’s e experimentos sobre divulgação científica, além de realizar atividades durante a exposição, como a produção de móbiles com garrafas Pet, marionetes, dobraduras, entre outros.

A exposição Caminhos do Passado, Mudanças do Futuro está aberta de terça a sexta-feira de 9h até as 20h, e aos sábados, domingos e feriados de 10h às 20h. A Casa da Ciência fica à Rua Lauro Müller, nº3, Botafogo, Rio de Janeiro.