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Propostas do CCS para o REUNI visam criação de cursos

O Centro de Ciências da Saúde (CCS) foi o protagonista do terceiro dia de apresentação pública dos projetos de ampliação e reestruturação acadêmica das unidades para adequação ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI).

 O Centro de Ciências da Saúde (CCS) foi o protagonista do terceiro dia de apresentação pública dos projetos de ampliação e reestruturação acadêmica das unidades para adequação ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI).

A maior parte dos projetos analisados, nesta quarta-feira, 20 de junho, pela comissão criada, em dois de maio pelo reitor Aloísio Teixeira, para avaliar o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) e propor diretrizes para as ações a serem encaminhadas pela UFRJ, continha metas de expansão baseadas, principalmente, na criação de novos cursos de Graduação.

O Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (IESC), por exemplo, pretende oferecer, em um prazo de dois anos, o curso de Graduação em Saúde Coletiva, primeira iniciativa desse tipo na América Latina: “Os nossos sanitaristas são formados pela Pós-Graduação. Essa é a única profissão que, apesar de reconhecida como tal, não tem curso de Graduação”, aponta Letícia Legay, diretora do IESC, salientando ainda que, para a implementação dessa idéia, serão necessários dez novos professores e cerca de um milhão de reais para a construção de laboratórios.

A Faculdade de Medicina (FM) apresentou a ambiciosa proposta, já discutida e aprovada pela congregação da unidade, de criar uma turma de Graduação com 60 vagas no município de Macaé. Em sua explanação, Antônio Ledo, diretor da FM, destacou os impactos políticos, sociais e acadêmicos da iniciativa e explicou que a prefeitura da cidade já disponibilizou uma estrutura de centro universitário, com início das obras previsto para agosto desse ano, para a fixação do novo curso.

Ledo justificou também a opção por Macaé: “Existe excesso de médicos, mas não no interior do estado. Além disso, nem todos os médicos existentes possuem a qualidade dos profissionais formados pela UFRJ. A ida para Macaé é benéfica não apenas para a região como para o campus atual, pois pressupõe investimentos nas suas estrutura e adequação”, afirmou.

Já as representantes dos cursos de Fonoaudiologia e Fisioterapia explicitaram o interesse de implantar um curso de Terapia Ocupacional para, a partir da concretização desse projeto, criar um núcleo interdisciplinar e, posteriormente, uma unidade acadêmica congregando os três cursos. As demandas para o cumprimento dessa meta envolvem a contratação de docentes e técnicos-administrativos, a construção de salas de aula e laboratórios, a aquisição de 200 equipamentos e a cessão de 300 bolsas de assistência estudantil.

Não foram todas as unidades, no entanto, que pautaram seu crescimento pela oferta de novas turmas de Graduação. O Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), por exemplo, traçou um planejamento estratégico de desenvolvimento calcado na aproximação acadêmica com a FM e o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF). O ICB esboçou ainda a intenção de transferir suas atividades de Pós-Graduação para as instalações do HUCFF, o que envolveria um investimento da ordem de dez milhões de reais, mas, em contrapartida, liberaria 1.500 m2 de espaço nos blocos K, J e B do prédio do CCS.

Reitor elogia debates

O reitor Aloisio Teixeira presenciou a exibição das propostas das unidades do CCS. O professor opinou que o processo de apresentação pública dos projetos é um fórum qualificado de debates, poucas vezes verificado no âmbito universitário: “tudo o que as pessoas dizem aqui tem um significado muito grande. É uma pena que a universidade como um todo não possa se beneficiar dessa discussão. Tenho certeza de que poucas vezes vivenciamos um período de debate tão amplo quanto o dos últimos anos”, sublinhou Aloisio.

O reitor comentou as críticas tecidas por alguns setores da comunidade acadêmica em relação aos prazos dados às unidades para a formulação de suas propostas. “Se não fosse assim, não teria o caráter de urgência necessário. Muitas propostas do PDE convergem com as diretrizes do PDI, largamente discutido durante todo o ano de 2006. Ninguém pode afirmar que não houve um esforço da parte da Reitoria para colocar essas idéias em discussão”, observou o professor.

Aloísio Teixeira ressalvou ainda que, embora seja importante cada unidade pensar a sua reestruturação, o projeto que poderá ser encaminhado ao Ministério da Educação deve contemplar os objetivos gerais da universidade, que não são limitados à soma dos interesses de cada instituto: “A proposta da UFRJ não pode ser um alinhavo dos projetos aqui expostos. Temos que elaborar uma proposta que descortine um novo horizonte. Ou nos transformamos em uma universidade verdadeira ou não vamos ter destino”, disse.