
Aula magna com Marco Lucchesi. Foto: Artur Moês – Coordcom/UFRJ
Marco Lucchesi, professor da Faculdade de Letras (FL) e presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), abriu, na segunda-feira, 12/8, o semestre letivo com a aula magna Universidade e Construção do Ocidente. O evento, que contou com a presença da reitora Denise Carvalho, lotou o auditório do Centro Cultural Professor Horácio Macedo (Roxinho), no Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN).
A reitora enfatizou a importância das universidades e academias como espaços de pensamento livre e qualificado, considerando que nesses locais se encontram profissionais de excelência: “Neste momento, o Brasil precisa pensar o papel das instituições públicas de ensino, pesquisa e de conhecimento, e nós não temos dúvidas de que continuaremos no caminho que temos trilhado há 100 anos”.
Em seguida, Godofredo Neto, também professor da FL, lembrou a riquíssima trajetória de Lucchesi, que, formado em História, se tornou poeta, tradutor, docente, imortal e presidente da ABL, com trabalhos sociais de extrema relevância, como atividades no sistema carcerário que renderam bibliotecas batizadas com seu nome.
Para Lucchesi, a cultura é o último bastião da democracia, tendo sido as universidades as geradoras da sociedade ocidental que conhecemos hoje. “A universidade é a união dos saberes”, constatou. Segundo ele, não há um único pensamento possível na universidade, já que ela é baseada no pensamento pluricultural construído durante séculos. “O lugar da crítica à universidade é dentro dela. Nós temos a capacidade de reformular as questões públicas.”
Lucchesi ressaltou que a crítica, o debate e o pluralismo cultural são necessários para um ensino e uma sociedade mais justos. “Os grandes pensamentos acontecem na fronteira. Por isso é importante tornar a universidade mais forte e capaz de criar centelhas”, afirmou defendendo a interdisciplinaridade, cada vez mais comum não só na academia, mas no dia a dia. “A poesia pode estar em contato com a matemática; tem muito de física quântica na teologia.”
Reconhecido pelo extenso trabalho nas prisões cariocas, o poeta lamentou a situação do sistema carcerário, que deveria ressocializar, mas, na verdade, exclui. Para ele, não existe um compromisso público com a educação, o estímulo à cultura e formação dos jovens, que acabam descobrindo na prisão a parte mais cruel do Brasil, mas que muitas vezes também encontram a arte nos ateliês, nas aulas de música e bibliotecas organizadas por voluntários como os da Pastoral Carcerária.
Durante a aula, que teve um forte tom crítico principalmente em defesa da universidade pública, Lucchesi ressaltou ser imprescindível continuar a luta buscando mobilizar as pessoas e mantendo a crença no sistema público. Ao final ainda citou o escritor e jornalista russo Fiódor Dostoiévski: “Ele dizia que a beleza salvará o mundo, e nós dizemos que a diversidade salvará o Brasil”.