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Aluno desenvolve fechadura acionada com o pé

Produto pode auxiliar na acessibilidade e higiene em tempos de COVID-19

A pandemia do coronavírus trouxe uma preocupação que não estava no dia a dia da população. Superfícies sujeitas ao toque constante, como as maçanetas, são um grande foco de contágio de doenças como a COVID-19. A solução para menos contato e mais segurança pode estar no produto desenvolvido por um estudante e patenteado pela Agência de Inovação da UFRJ: uma fechadura acionada com o pé.

Quando Rafael Aguirre estava concluindo o curso de Desenho Industrial, viu no cotidiano uma necessidade: “Ao frequentar espaços públicos muito movimentados, em especial os banheiros de estabelecimentos comerciais e consultórios médicos de grandes hospitais, percebi que a higienização das maçanetas é quase sempre ignorada e, mesmo quando realizada, é muito difícil fazê-la adequadamente”, contou.

As pesquisas vão ao encontro do trabalho de Aguirre. Segundo estudo publicado pelo The New England Journal of Medicine, a sobrevida do coronavírus em várias superfícies pode chegar a até  três dias, como no aço inoxidável e no plástico. Assim, a higienização cuidadosa e constante torna-se obrigatória.

“Acho que no contexto atual de flexibilização apressada, e talvez precipitada, do isolamento social, a fechadura seria um bom instrumento para conter a proliferação da COVID e de outras doenças transmitidas por contato que podem demandar cuidados médicos e sobrecarregar ainda mais o sistema de saúde.”

Além da higiene, o estudante ainda viu a importância do produto para melhorar a acessibilidade: “Outro motivo é a falta de produtos direcionados às pessoas com deficiência nos membros superiores. Percebi que no mercado não há alternativas de puxadores e fechaduras que dispensem o uso das mãos ou dos braços e sejam direcionadas a esse público”.

Desenvolvimento do produto

A escolha do pé para o acionamento da fechadura veio a partir da observação da forma como as pessoas utilizam o corpo. Para Aguirre, mãos e braços estão normalmente expostos, principalmente nos locais em que as temperaturas mais altas demandam roupas com mangas curtas, além de serem utilizados para outras atividades mais sensíveis ao organismo.

“Os pés, por outro lado, estão quase sempre protegidos por algum calçado e seriam uma alternativa viável para acionar um mecanismo desse tipo. Pensei nos pés também por serem uma parte do corpo que estamos acostumados a usar no acionamento de outros dispositivos, como pedais em cestos de lixo ou pedais de controle em automóveis.”

A fechadura funciona com o acionamento de um pedal por um dos pés, que ativa o mecanismo interno da fechadura, retraindo ou liberando o trinco. Com o trinco retraído, basta puxar ou empurrar a porta para que ela se abra, semelhante a uma fechadura convencional. O produto, que foi desenvolvido com base em estudos ergonômicos e psicológicos, visa tornar a experiência de uso confortável e intuitiva para o usuário.

E, pensando nas pessoas que continuarão usando as fechaduras manuais, o novo produto  também se mostra passível de instalação convencional. Foi projetado tendo em vista os processos de fabricação já realizados no país e dispensando a integração de componentes eletrônicos, o que simplifica a produção e barateia os custos, aumentando o acesso e uso.

“Após a pandemia, acho interessante que um produto como esse esteja disponível para o público em geral por motivos higiênicos, em especial nos estabelecimentos de saúde e  sanitários públicos, e práticos, para pessoas com deficiência nos membros superiores e aquelas que precisem de uma alternativa ao uso das mãos para abrir portas, por estarem momentaneamente debilitadas ou com as mãos ocupadas”, concluiu Aguirre.