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Fósseis de 55 milhões de anos chegam à UFRJ

O Instituto de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro recebeu, na última quinta-feira (4/9), fósseis de animais que viveram na pré-história. As peças passarão pelo processo de tratamento na universidade.

Por Guinevere Gaspari 

O Instituto de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro recebeu, na última quinta-feira (4/9), fósseis de animais que viveram na pré-história. A descoberta dos fragmentos de ossos de um exemplar que viveu unicamente na região de Itaboraí (RJ) há cerca de 55 milhões de anos foi revelada no final de agosto. Os pesquisadores também encontraram os moldes de duas mandíbulas na bacia do Parque Paleontológico São José, localizado no município da região metropolitana do Rio de Janeiro.

As peças passarão pelo processo de tratamento na universidade. É um procedimento meticuloso para que nada seja danificado durante a remoção das rochas. Para o trabalho, são utilizados martelos pneumáticos com ácidos que contribuem na corrosão do calcário. A expectativa é que a tarefa dure em torno de um mês. Depois, as peças serão estudadas, tombadas e então encaminhadas novamente ao parque, onde ficarão expostas por tempo indeterminado. A ideia é que até a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que ocorrerá em outubro, já tenha sido finalizado todo o processo.

De acordo com a paleontóloga e professora do departamento de Geologia da universidade Lílian Bergqvist, foram encontrados o fóssil de um xenungulado e outros dois moldes de mandíbula de Astrapotheria, que teriam vivido na época do Paleoceno, o primeiro período depois da extinção dos dinossauros. O xenungulado era um mamífero herbívoro com aproximadamente 2,5 metros de comprimento e 1 metro de altura, a estrutura dele se assemelhava a de uma anta. Os outros animais que viviam ali na época eram bem menores. Os Astrapotherias, por exemplo, tinham apenas 10% do tamanho de um xenungulado.

Há três anos, Lílian e equipe retomaram as buscas por novos fósseis na região. Os trabalhos aconteceram nos blocos que já estavam caídos no local, pois mexer na estrutura da bacia poderia causar desmoronamentos. O biólogo e gerente do Parque Luís Otávio Castro, que também integra o grupo de pesquisadores, relatou que a prefeitura se empenha na delimitação do parque, evitando possíveis invasões, reprimindo a caça e a destruição de fósseis ou rochas, além de desenvolver trabalho de visitação guiada, para conscientizar os visitantes. “No Parque, que compreende uma área de 100 mil metros quadrados, já foram encontrados outros animais, como o tatu mais antigo do mundo e a preguiça gigante. Também foram achados artefatos líticos (ferrramentas) pré-históricos que comprovam a presença humana”, contou.

Para a professora Bergqvist, há verdadeiros tesouros na região. Ela destacou que a relevância da descoberta do xenungulado é mostrar que não estão esgotados os fósseis na área. O acúmulo histórico para a população também foi considerado fundamental. Segundo o diretor do parque, as mandíbulas de Astrapotheria e do xenungulado foram encontradas em dias diferentes, mas na mesma bacia.

O Parque Paleontológico de São José foi, por muitos anos, reduto de calcário em Itaboraí para a Companhia Nacional de Cimento Mauá, utilizado em grandes construções como a Ponte Rio-Niterói e o Maracanã. As atividades extrativistas foram encerradas em 1984 e desde então nenhum fóssil foi encontrado até agora.

A equipe de pesquisadores é composta, além de Bergqvist e do gerente do Parque, por Katia Mansur e Maria Antonieta Rodrigues, ambas do departamento de Geologia/UFRJ. Com apoio do CNPq, da Faperj e da Prefeitura Municipal de Itaboraí, alunos do Laboratório de Macrofósseis da UFRJ foram integrados ao projeto. Hoje, o parque conta com direção da dra. Maria Beltrão, que, além de Luis Otávio Castro, tem o suporte dos servidores Paulo Gaudino e Ozemar Mendonsa, ambos da Prefeitura de Itaboraí, que atuam diretamente na preservação do lugar.