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Congresso discute experiência da Copa do Mundo e futuro impacto das Olimpíadas no trânsito

Nos dias 13 e 14 de agosto, ocorreu a 12ª edição do Congresso Rio Transportes, na Coppe–UFRJ. A palestra de abertura contou com a participação do diretor de operações da CET-Rio, que falou sobre os possíveis impactos das Olimpíadas de 2016 no tráfego, com base na experiência vivida na Copa do Mundo.

Paula Sá


Nos dias 13 e 14 de agosto, ocorreu a 12ª edição do Congresso Rio Transportes. Promovido pelo Programa de Engenharia de Transportes (PET) da Coppe – UFRJ, o evento foi coordenado pelo professor Paulo Cezar Ribeiro.

A palestra de abertura contou com a participação do diretor de operações da Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio de Janeiro (CET-Rio), Joaquim Dinis, que abordou os possíveis impactos das Olimpíadas no tráfego, baseando-se na experiência vivida na Copa do Mundo.

Segundo ele, devido ao aumento da quantidade de eventos realizados no Rio de Janeiro, algumas medidas foram adotadas para que a cidade não virasse um caos. Entre elas, o uso de transportes públicos de grande capacidade em vez de carros particulares, a colaboração da população e a forte interação entre os Governos Federal e Estadual, a Prefeitura e o Comitê Organizador da Fifa.

Além disso, frisou que a cidade enfrentava um período conturbado, por causa das obras de interdição, manifestações e inaugurações do BRS e BRT TransCarioca – este último começou a operar 15 dias antes da Copa.

Copa 2014
A Copa das Confederações, realizada em 2013, serviu como teste para a Copa do Mundo, uma vez que foram definidas, testadas e ajustadas as principais diretrizes: uso de transporte público, implantação de áreas de bloqueio e participação dos moradores. A CET-Rio, após diálogo com a Fifa, conseguiu flexibilizar algumas solicitações, como os horários de fechamento e o acesso das delegações.

Dinis lembrou que, segundo a avaliação inicial para a Copa do Mundo feita pela entidade que dirige o futebol mundial, o Maracanã se destacava por ser próximo de três estações do metrô e de duas da Supervia. Com isso, concluiu que era necessário o uso de transportes públicos para o deslocamento da população.

Para gerenciar a demanda e os congestionamentos, os integrantes da CET-Rio entenderam que os fechamentos precisavam começar a ser feitos, parcialmente seis horas antes do jogo e, totalmente, quatro horas antes. Férias e feriados também foram decretados, porém a adesão foi baixa, havendo a necessidade de um ajuste para as Olimpíadas de 2016.

Joaquim Dinis ressaltou também a importância da imprensa na divulgação das mudanças do trânsito e dos horários de interdição.

Operação Maracanã
Para facilitar o acesso ao estádio, algumas alterações ao redor do Maracanã foram feitas pela CET- Rio. Entre elas, a utilização do viaduto como passarela, o desvio do tráfego, a implantação de pontos de verificação veicular e a distribuição de credenciais e panfletos para os moradores.

Outras ações também foram realizadas: 800 agentes de trânsito trabalharam ao redor do estádio e planos especiais de contingência e novos semáforos foram disponibilizados para a população. Entre os recursos empregados, havia 40 reboques, 85 motocicletas e 65 viadutos operacionais.

Segundo Dinis, a vinda de veículos estrangeiros da América Latina foi uma surpresa e, para acomodar todos eles, foi aberto o Terreirão do Samba. Próximo à final, outros dois locais foram disponibilizados: o Sambódromo e o campo de São Cristóvão.
Olimpíadas 2016
Os planos para o evento olímpico, que ocorrerá no Rio de Janeiro, ainda estão sendo desenvolvidos. O objetivo da CET-Rio é afetar o mínimo possível a rotina da cidade e da população. Medidas como grandes bloqueios em dias de semana e feriados serão evitadas. Mais uma vez, o uso de transporte público de alta capacidade será priorizado.

O evento ocorrerá em 15 complexos esportivos e é esperado um público de 517 mil espectadores em dia de pico.