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Evento internacional discute conflitos urbanos ligados aos megaeventos esportivos

Mudanças no trânsito e UPPs foram alvo de debates nas II Jornadas Internacionais de Antropologia do Conflito Urbano: Conexões Rio-Barcelona. Saiba mais.

Lílian Durães

Começaram na segunda-feira (11/8) as II Jornadas Internacionais de Antropologia do Conflito Urbano: Conexões Rio-Barcelona. O objetivo do evento é debater os principais conflitos urbanos observados na cidade do Rio de Janeiro, comparando-os com estudos realizados sobre o mesmo tema em Barcelona, na época em a cidade sediou os Jogos Olímpicos de 1992.

O evento é promovido pelo Laboratório de Etnografia Metropolitana (LeMetro), do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (Ifcs) da UFRJ, em parceria com o Observatori d’Antropologia del Conflicte Urbà (Oacu), do Grup de Recerca sobre Exclusió i Control Social (Grecs) da Universitat de Barcelona.

Na mesa de abertura, Neiva Vieira da Cunha, professora do LeMetro, explicou que a ideia de fazer a conexão Rio-Barcelona surgiu após participar da I Jornada, ocorrida na universidade catalã em 2012. Neiva observou semelhanças entre o momento de expectativa em que vivia o Rio de Janeiro às vésperas de sediar a Copa do Mundo de 2014 e, agora, os Jogos Olímpicos de 2016. As duas cidades, segundo ela, passaram por mudanças – e o Rio ainda vive esse processo – que resultaram em conflitos urbanos.

O professor da Oacu/Grecs-UB, Miquel Fernández González, que participou da mesa de abertura, explicou como o grupo se formou e qual o principal método de pesquisa: observar e analisar os tipos de conflitos ocorridos no espaço urbano.

Em seguida, o coordenador do LeMetro, Marco Antônio da Silva Mello, destacou um notável aspecto em comum do vínculo Rio-Barcelona: o engajamento da população nos processos urbanos vividos em suas cidades.

Mudanças nos problemas urbanos

Michel Misse, sociólogo e professor da UFRJ, lançou um questionamento acerca dos temas que seriam os maiores causadores de conflitos urbanos. Utilizando como exemplo a fala de um motorista de táxi do Rio de Janeiro, observou que as reclamações sobre as obras, modificações no trânsito e o transporte tomaram o lugar das críticas à criminalidade e que, agora, a população passa a discutir outras dificuldades relacionadas ao espaço urbano.

O segundo palestrante da mesa foi o professor Luís Antônio Machado da Silva, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Ele apresentou outros problemas, como a contradição interna do “sistema organizacional urbano que tem duas formas de controle social, a coerção e a regulação das camadas dominantes”. Ele apontou ainda as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) como modelo de coerção, mas que recebe aceitação parcial da população.

 Em seguida, Lenin Pires, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), retomou o exemplo das UPPs para discutir as diferenças nas ações policiais em determinadas regiões da cidade. Segundo ele, são muitos os casos em que a população de áreas mais pobres sofre abuso do poder coercitivo por parte dos policiais e, em contraste, observa-se um maior cuidado nas ações em bairros mais nobres.

O professor Marco Antônio Mello encerrou essa etapa de debates com um panorama das metodologias de pesquisa em Antropologia através do método etnográfico, e a problematização das questões urbanas.

O evento termina hoje (13/8), com mesas que debatem a metamorfose do espaço urbano, os megaeventos e megaempreendimentos na cidade, além de uma sessão de audiovisual.