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Diretor do Nupem/UFRJ recebe título de Cidadão do Estado do Rio de Janeiro

A cerimônia abrirá os festejos dos 20 anos de criação do Nupem, com extensa e variada programação, que será realizada na semana de 2 a 6/6, em sua sede, no Município de Macaé.

Por Lenin Novaes

Edição: Diane Dias e Jean Souza

 

 

Nesta sexta-feira, 30/5, o professor Francisco de Assis Esteves, diretor do Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Sócio-Ambiental de Macaé (Nupem/UFRJ), será homenageado com o título de Cidadão do Estado do Rio de Janeiro, outorgado pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Por iniciativa da deputada Aspásia Camargo, a cerimônia será realizada, às 14h30, no Auditório Hélio Fraga, no 2º andar do Bloco K do prédio do Centro de Ciências da Saúde (CCS), na Cidade Universitária.

A cerimônia abrirá os festejos dos 20 anos de criação do Nupem, com extensa e variada programação, que será realizada na semana de 2 a 6/6, em sua sede, no Município de Macaé.

Estarão na mesa da cerimônia, além do homenageado, o vice-reitor da UFRJ, Antonio Ledo, a deputada Aspásia Camargo, a decana do CCS, profª Maria Fernanda Santos Quintela da Costa Nunes; e o prefeito de Macaé, Aluízio dos Santos. Antonio Ledo participará como reitor em exercício, visto que o professor Carlos Levi encontra-se em viagem aos Estados Unidos.

Natural da Cidade de Cascavel, Estado do Ceará, Francisco de Assis Esteves nasceu no dia 4 de setembro de 1950. O pai, José Esteves da Silva, era um pequeno agricultor de subsistência; e a mãe, Raimunda Pereira da Silva, doméstica. Com 14 meses de idade ficou órfão de pai, juntamente com mais 13 irmãos. Aos nove anos migrou para o Rio de Janeiro e, já com 13 anos, começou a trabalhar como vendedor em uma papelaria.

Os seus estudos básicos e secundários foram concluídos no período noturno em escolas públicas nos bairros do Engenho de Dentro e Tijuca. Em 1970 foi aprovado no curso de Biologia da UFRJ, onde se graduou, em 1973. Ainda nos primeiros semestres de sua graduação teve interesse despertado pelo estudo da Ecologia das Águas Continentais, da Lagoa Rodrigo de Freitas e dos lagos de altitude do maciço de Itatiaia, ambientes que se tornaram fontes de pesquisa cientifica.

Ainda em 1973 recebeu bolsa de estudo da Alemanha e, de 1974 a 1978, realizou seu curso de doutorado no renomado instituto Max-Plack Insitut für Limnologie, na Cidade de Ploen, sob a orientação do cientista Harald Sioli.

Ao retornar ao Brasil, com 28 anos de idade, Francisco Esteves foi contratado como professor adjunto pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde exerceu suas atividades de docente até 1989, sendo, então, transferido para UFRJ. Na UFSCar, deu início à construção da área do saber conhecida como Limnologia (Ecologia das Águas Interiores), que até então era praticamente inexistente no Brasil. Lá, criou um pioneiro e importante laboratório de Limnologia, formou os primeiros doutores em Ecologia de Águas do Brasil e, em 1982, fundou a Sociedade Brasileira de Limnologia.

Em 1988, publicou o primeiro tratado em Limnologia na língua portuguesa: “Fundamentos de Limnologia”, que já se encontra na terceira edição e é obra de referência na área, não só no Brasil, mas em toda América Latina. É considerado pioneiro, no Brasil, nas pesquisas em ecologia de ecossistemas aquáticos continentais, especialmente nas lagoas costeiras do Norte Fluminense e lagos e rios da Amazônia.

Suas pesquisas sobre estes ecossistemas e outros pelo Brasil afora resultaram numa massiva produção científica, gerando mais de 200 artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais, além de 6 livros, 55 capítulos de livros e dezenas de artigos em divulgação cientifica, alfabetização ecológica e educação ambiental.

No início da década de 1990, seus esforços se concentraram para conceber e construir um centro de pesquisas em ecologia em Macaé, município no Norte Fluminense. Em 1994 foi criado o Nupem, que no início era apenas uma base de pesquisa para os biólogos do Laboratório de Limnologia da UFRJ. Hoje, o núcleo possui o status de instituto e abriga um curso de Licenciatura em Biologia, Bacharelado em Biotecnologia e Ciências Ambientais e um curso de mestrado e doutorado em Ciências Ambientais.

A criação do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, em 1998, ocorreu graças ao enorme volume de pesquisas realizadas e estimuladas por Francisco Esteves nas restingas do Norte Fluminense. Estas pesquisas constituíram a base científica para justificar a criação do parque.

Além disso, ele liderou o movimento político-social que envolveu a sociedade tanto num âmbito local como nacional, que resultou na criação do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba. Tal unidade de conservação preserva, para as gerações futuras, mais de 15 mil hectares de restinga, um mosaico de ecossistemas de extrema singularidade ecológica do país.

Francisco Esteves já orientou 39 dissertações de mestrado e 26 teses de doutorado. Hoje, no Brasil inteiro, boa parte dos grandes pesquisadores na área de Ecologia Aquática foi ou é aluno do professor Francisco Esteves. Em praticamente todos os estados brasileiros existem ex-alunos que ocupam posições de destaque em universidades estaduais e federais. Desta forma, toda uma geração de pesquisadores que hoje ocupam cargos de destaque na área de pesquisa do Brasil foi influenciada pelos ensinamentos do professor.

O professor sempre teve a convicção de que os conhecimentos gerados através de sua pesquisa poderiam modificar a forma de pensar da sociedade. Desde o começo da carreira sempre teve a preocupação de compartilhar o conhecimento gerado através de sua pesquisa científica com a sociedade.

Assim, Francisco Esteves liderou projetos de educação ambiental que atingiram mais de 8 mil crianças das redes públicas e particulares de ensino em Macaé e arredores.

Também idealizou e realizou cursos de educação ambiental para pescadores e cursos de capacitação para professores do ensino médio e fundamental, onde as características ecológicas dos ecossistemas do Norte Fluminense foram compartilhadas com aqueles que mais carecem destas informações, entre eles, professores do Ensino Médio e Fundamental.

Eles se tornam agentes multiplicadores dos conhecimentos, multiplicando o número de pessoas atingidas pelos projetos liderados pelo professor. Esta ação é de absoluta importância para o desenvolvimento da consciência ambiental da atual e das futuras gerações.

Francisco Esteves também foi o idealizador da Escola Municipal de Pescadores em Macaé, onde os filhos de pescadores recebem ensino de qualidade da 5ª à 8ª série, e os conceitos empregados em todas as disciplinas se voltam para a prática da pesca e de conservação ecológica. Com isso, os futuros pescadores da região serão cidadãos mais preocupados com os problemas ambientais que afetam toda a sociedade e, sem dúvida, contribuirão para uma revolução na melhoria da prática pesqueira da região.

Fruto de sua produção cientifica, compromissado com o desenvolvimento socioambiental e com o crescimento sustentável, Francisco Esteves tem recebido condecorações de vários municípios da Região do Norte Fluminense e prêmios, dos quais se destaca o II Prêmio de Responsabilidade Socioambiental da Bacia de Campos, concedida pela Revista Visão Ambiental, UENF e Prefeitura de Macaé.

Francisco Esteves atualmente é professor titular em Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, coordenador do Laboratório de Limnologia da UFRJ e diretor do Nupem, unidade acadêmica vinculada ao CCS. É casado com Maria Rosa Esteves, bióloga e mestre em Ecologia, com quem tem dois filhos: Bruno Esteves, estudante de Direito, e Lívia Esteves, médica.

O reconhecimento da excelência de sua produção cientifica é reconhecido pala academia, através do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), que o classificou com a sua graduação máxima (1A).

Aspásia Camargo

A deputada Aspásia Camargo, socióloga, historiadora e professora, está em seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, eleita em 2010 pelo Partido Verde. Ela é presidente da Comissão Permanente de Saneamento Ambiental e da Comissão de Governança Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro e, ainda, integrante da Comissão de Cultura; da Comissão Especial para Acompanhamento do fim dos lixões e da Comissão Especial para identificação das áreas contaminadas do Estado.

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