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Avanços e desafios da Aids em debate no CCS

No dia 13/2, aconteceu, no Centro de Ciências da Saúde (CCS), a aula inaugural com o tema Aids: Avanços e Desafios. A palestra foi ministrada por Amilcar Tanuri, professor titular da UFRJ

Isabella Cardoso

No dia 13/2, aconteceu,  no Centro de Ciências da Saúde (CCS), a aula inaugural com o tema Aids: Avanços e Desafios.  A palestra foi ministrada por Amilcar Tanuri, professor titular da UFRJ e chefe do Laboratório de Virologia Molecular. Graduado em Medicina, mestre em Biofísica e doutor em Genética pela UFRJ, ele  trabalhou no combate à Aids na África Subsaariana.

Ao abrir o evento, a decana do CCS, Maria Fernanda da Costa Nunes, deu as boas-vindas aos novos estudantes de Ciências Biomédicas, Microbiologia, Biofísica e Farmácia, fazendo uma breve apresentação da faculdade. Em seguida, Amilcar Tanuri iniciou a aula comentando sobre o ano de 2008, quando dois pesquisadores franceses e um virólogo alemão receberam o prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina pela descoberta, respectivamente, do vírus da Aids, o HIV, e do vírus do papiloma humano, o HPV.

O vírus da imunodeficiência humana (HIV), descoberto há 31 anos, causa a síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids). Segundo o professor, nunca na história da medicina um vírus foi tão estudado em tão pouco tempo. O HIV é um retrovírus que ataca o sistema imunológico, invadindo e matando as células responsáveis por ele, expondo o portador à ação de outras doenças, que podem ser fatais devido à baixa imunidade do organismo.

Amilcar Tanuri lembrou ainda que a Aids só é transmitida através do sangue, relações sexuais e de mãe para filho, e que o suor e a saliva não são capazes de passar a doença. De acordo com o professor, o vírus é originário de primatas e a contaminação humana ocorreu em virtude da dieta africana, que inclui tais animais. Assim, o vírus adaptou-se à nossa espécie e se espalhou pela sociedade. Tanuri também explicou, na aula inaugural, sobre o vírus HIV2, descoberto em 1986 e que age de forma mais lenta que o HIV1, porém não deixando de ser fatal.

Em seguida, o professor apresentou dados sobre a transmissão do vírus. Destacou que numa transfusão de sangue infectado há mais de 70% de chances de se contrair o HIV. Já em uma gravidez na qual a mãe possui o vírus, a chance de a criança ser infectada é de 20 a 30%.

Atualmente, segundo Tanuri, existem 35 milhões de portadores do HIV no mundo; desse número, 25 milhões estão na África Subsaariana. Segundo o  palestrante, a tendência é a doença ser transmitida, principalmente, por relações sexuais heterossexuais, com o aumento do número de portadoras mulheres – hoje, a relação é de uma mulher para um homem portador –, especialmente de populações mais pobres em pequenas cidades.

Na aula inaugural, Tanuri perguntou aos presentes quem havia feito um teste de HIV no último ano. Apenas duas pessoas levantaram a mão. Em seguida, apresentou dados que revelam que somente 55% dos brasileiros usam preservativo no primeiro encontro e que, em 1999, só 20% da população fizeram o teste. Em 2003, o número subiu para 30%.

O professor concluiu a aula ressaltando a importância da prevenção e da realização do teste anualmente.