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Seminário sobre urbanização da América Latina discute transporte público do Rio

O 1º Seminário Internacional de Rede Latino-americana de Investigadores sobre Teoria Urbana aconteceu entre os dias 6/11 e 8/11, no auditório do Ippur/UFRJ. Uma das palestras foi sobre o transporte por ônibus na cidade do Rio de Janeiro.

O 1º Seminário Internacional de Rede Latino-americana de Investigadores sobre Teoria Urbana aconteceu entre os dias 6/11 e 8/11, no auditório do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur) da UFRJ.

Com a presença de pesquisadores de diversos países e universidades da América Latina, o evento abordou os desafios teóricos e políticos na cidade neoliberal, buscando desenvolver uma teoria urbana para o continente.

O professor Igor Matela, do Ippur, falou sobre a neoliberalização e reestruturação urbana no Brasil, além da reorganização do transporte por ônibus na cidade do Rio de Janeiro.

Segundo ele, os ônibus são responsáveis pela maior quantidade de transporte de passageiros na cidade. Com o incentivo ao uso do transporte rodoviário, as empresas controlam regiões específicas, resultando em monopólios.

Durante os últimos anos, a degradação da qualidade do serviço oferecido pelos trens deu margem para uma competição entre os transportes. Os ônibus, segundo Matela, passaram a oferecer melhor qualidade no mesmo trajeto da linha do trem, fazendo com que a população prefira o transporte sobre rodas ao transporte sobre trilhos.

O pesquisador lembrou que o surgimento do transporte clandestino – vans e kombis – aconteceu na “crise” do transporte público. As linhas de ônibus já não supriam as necessidades da população. Esse novo transporte diminuiu a quantidade de passageiros nos ônibus, bem como o lucro das empresas.

Em 2010, explicou Matela, as empresas de ônibus começaram a funcionar por meio de concessões e contratos com consórcios que operam em áreas definidas na cidade. Houve, também, a implantação do Bilhete Único e dos corredores de BRS, criando a expectativa de melhoria da qualidade do transporte público.

Mesmo com essas modificações, o professor considera que as relações de privilégio continuam e os grupos que administravam os ônibus mantiveram as concessões, apesar dos indícios de fraude na licitação.

De acordo com Matela, tudo indica que há uma estratégia dos quatro grupos empresariais dominantes para concentrar capital, poder e informação, já que são eles que controlam o sindicato – Fetranspor – que centraliza e controla as informações e os rendimentos coletados na bilhetagem eletrônica, privando o acesso até mesmo ao poder público.

Para que haja a reorganização do transporte público, segundo o professor, é preciso que “a relação de patrimonialismo seja deixada de lado, assim como o processo de neoliberalização do espaço urbano”.