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Política de comunicação para UFRJ é debatida em seminário

O Fórum de Ciência e Cultura (FCC) promoveu, nos dias 11 e 12 de setembro, o ciclo de debater “Você Se Comunica?”, para debater uma política pública de comunicação para a UFRJ. Entre 23 de setembro e 4 de outubro, as propostas discutidas durante o encontro ficarão em consulta pública.

O Fórum de Ciência e Cultura (FCC) promoveu, nos dias 11 e 12 de setembro, o ciclo de debates “Você Se Comunica?”, com o objetivo de debater e fomentar uma política pública de comunicação para a UFRJ.

Entre 23 de setembro e 4 de outubro, as propostas discutidas durante o encontro ficarão em consulta pública. A plenária final, marcada para o dia 10 de outubro, aprovará um documento com diretrizes e ações que será submetido à apreciação do Conselho Universitário.

Experiências públicas

A abertura do encontro, no salão do Centro Brasileiro de Altos Estudos (CBAE) da UFRJ, contou com as presenças do coordenador e do superintendente de Comunicação do Fórum, respectivamente, Carlos Vainer e Fernando Salis, e do pró-reitor de Extensão, Pablo Benetti.

Em seguida, formou-se a primeira mesa de debates, composta pelo diretor-presidente da Empresa Brasil de Telecomunicação (EBC), Nelson Breve; Sérgio  Duque Estrada, do Laboratório de Realidade Virtual (Lab3D) do Instituto Aberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da UFRJ; Álvaro Malaguti, da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP); e Ivana Bentes, diretora da Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ.

Nelson Breve deu ênfase à necessidade de discutir e formular as políticas de comunicação com base na experiência pública da EBC, já que o país vive uma revolução tecnológica cujas regras são ditadas por empresas privadas. Ele exibiu um vídeo expondo a consolidação dessa rede pública de rádio e TV, e defendeu a necessidade de criar um senso crítico na população por meio da difusão da cultura e da informação.

Desafios da comunicação em rede

Sérgio Duque Estrada falou da RedeIfes. Abordou a dificuldade que se tem em manter uma produção original e atraente por 24 horas e o nascimento da rede, bem como os acordos para sua criação. Mencionou a exclusão da UFRJ do projeto da TV Universitária. Em seguida, fez um histórico, lembrando a criação do projeto de transmissão das reuniões dos colegiados, como o Conselho Universitário (Consuni), e de eventos culturais e acadêmicos.  Citou ainda a pioneira WebTV da Coppe−UFRJ, afirmando que ela reúne o que há de melhor na TV e na Web.

Duque Estrada lembrou ainda uma importante experiência, o sistema de compartilhamento de conteúdos audiovisuais via internet, concebido em 2003 na Universidade Federal do Paraná (UFPR), no 1º Encontro dos Dirigentes das Rádios e TVs das Ifes, promovido pela  Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

Álvaro Malaguti, da RNP, falou sobre a infraestrutura de rede para a conectividade do ensino superior da ciência e da tecnologia, que busca melhorar o tráfego de informações. O programa de rede da RNP pertence ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), ao Ministério da Educação (MEC) e ao Ministério da Cultura (MinC). Essa parceria permitiu a aproximação entre áreas acadêmicas e a estruturação de uma rede de cinemas universitários.

Já Ivana Bentes falou da mutação que a estrutura de gestão do conhecimento vem sofrendo, como a fragmentação do conhecimento. Mas frisou que a área passa por um momento importante e renovador, ressaltando as ações feitas em outras plataformas que não estão dentro da universidade, como o Facebook, e a importância que o modelo descentralizado, em rede, tem para a geração de comunicação. Segundo ela, a UFRJ tem uma poderosa comunidade, porém não possui uma plataforma sedimentada que sustente toda a comunicação necessária.

Ao final, houve um debate em que as principais propostas foram destacadas e discutidas.

Comunicação institucional

O segundo dia de debates aconteceu na Casa da Ciência da UFRJ e contou com a presença do coordenador do FCC, Carlos Vainer, que mediou a mesa, e Ricardo Pereira, da Coordenadoria de Comunicação (CoordCom) da UFRJ, além de Ildeu de Castro, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Fernando Salis, superintendente de Comunicação do FCC, Bernardo Gutierrez, da Futura Mídia, e Juana Nunes, da Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura do Ministério da Cultura (MinC).

Abrindo a mesa, Ricardo Pereira falou da comunicação institucional da UFRJ e dos seus desdobramentos, ressaltando que a universidade exige enormes demandas que precisam ser supridas.

Relatou os problemas que a CoordCom vem enfrentando ao longo dos últimos anos, como a contratação de assessores sem concurso e a falta de pessoal especializado. Atualmente, segundo ele, a CoordCom conta com o trabalho de apenas um jornalista, o que provocou uma série de problemas, como a suspensão de dois boletins virtuais de grande audiência – Olhar Vital e Olhar Virtual – e do Jornal da UFRJ, desativados pela falta de mão de obra e de responsáveis competentes.

Segundo Ricardo Pereira, o Portal da UFRJ ainda é mantido, mas com dificuldade, visto que é impossível cobrir uma universidade gigantesca e descentralizada sem a atualização tecnológica de sua plataforma. Ele disse ainda que discutir a comunicação dentro da UFRJ requer cuidado e sensibilidade, uma vez que a universidade é plural.

Divulgação científica

Ildeu Castro discursou sobre a divulgação científica e os desafios para uma política na UFRJ, na qual a comunicação precisa ser institucional e pública ao mesmo tempo. Os próprios professores da universidade são grandes divulgadores da ciência, apesar da falta de uma política de comunicação.

Ildeu lembrou a presença da UFRJ na criação da primeira rádio do país. A universidade, segundo ele, precisa acionar mecanismos para a criação de uma educação de ciência de qualidade no país. Lembrou que são seus próprios alunos de licenciatura que virão a ser professores e serão a extensão do pensamento científico produzido na universidade.

Ildeu de Castro afirmou ainda que a ausência de comunicação dentro da UFRJ afeta a propagação do saber científico em todas as áreas, exemplificando com a falta de exposição dos acervos riquíssimos dos museus e das bibliotecas da universidade.

Redes digitais

Em seguida, Fernando Salis fez um panorama das atividades do FCC, cujo objetivo é divulgar arte, ciência e cultura, e afirmou que a cultura não é um produto. Falou ainda sobre a necessidade de desenvolvimento de uma rádio da UFRJ, além da melhoria da WebTV, e de elaboração de um guia universitário que busque a divulgação científica e a educação à distancia, com a criação de plataforma tecnológica e integração às redes sociais, que poderiam ser a base de um projeto central de comunicação para a universidade.

Depois, Bernardo Gutierrez abordou as novas redes digitais e a construção coletiva de plataformas de comunicação, fazendo um histórico do processo dos mass media e da ascensão do jornalismo social. Depois, frisou que a internet é um eixo fundamental para uma escola moderna, pois as pessoas estão sempre conectadas física e virtualmente dentro da universidade, 24 horas por dia, criando uma “mídia de multidão”.

Juana Nunes exprimiu a necessidade do avanço a partir de uma política de educação e cultura bem estruturada, e discorreu sobre os programas do MinC que atuam em conjunto com universidades e beneficiam minorias que não detêm formas de comunicação em primeira pessoa.

Para ela, potencializar os outros meios de comunicação gera a visibilidade necessária para criar uma rede orgânica que conta com blogs, midialivristas e todas as pessoas que procuram nela se integrar. Além disso, os novos meios de comunicação produzem parcerias com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelas quais as universidades constroem redes de pesquisa e divulgam o resultado para a sociedade.

Por fim, Juana ressaltou as iniciativas do MinC junto a rádios e TVs universitárias, como grandes seminários para a estruturação de políticas públicas de comunicação e cultura.