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1ª Conferência Interuniversitária de Cultura debate universidade e políticas culturais

Na última sexta-feira (6/9), aconteceu, no campus Praia Vermelha, a 1ª Conferência Interuniversitária de Cultura do Rio de Janeiro. O objetivo foi discutir formas mais ativas de as universidades públicas participarem no processo de elaboração e execução de políticas culturais.

Bianca Pinheiro

Na última sexta-feira (6/9), aconteceu, no Salão Pedro Calmon do campus Praia Vermelha, a 1ª Conferência Interuniversitária de Cultura do Rio de Janeiro, com o objetivo de discutir formas mais ativas de as universidades públicas participarem no processo de elaboração e execução de políticas culturais.

Carlos Vainer, diretor do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, iniciou a conferência destacando que o evento, além de lançar as bases e debater planos de trabalho para ações das universidades públicas no cenário cultural, representa o esforço dessas instituições de ensino superior para o estabelecimento do Fórum Interuniversitário de Cultura do Rio de Janeiro (FIC) e uma preparação para a 3ª Conferência Nacional de Cultura (CNC), que será realizada em novembro de 2013.

Integração pela cultura

Em seguida, Vainer apresentou os participantes da mesa de abertura da conferência: Carlos Levi, reitor da UFRJ; José da Costa, vice-reitor da Unirio; Sérgio Arruda de Moura, da Uenf; Leonardo Guelman, diretor do Instituto de Artes e Comunicação Social (Iacs) da UFF; Maria Alice Caggiano de Lima, diretora de Extensão do Cefet-RJ; e Regina Monteiro, sub-reitora de Extensão e Cultura da Uerj.

Durante a mesa de abertura, o principal ponto evidenciado foi a necessidade de uma parceria entre as universidades públicas do Rio de Janeiro para que se firmem como aliadas do governo nas políticas culturais, rompendo, assim, a barreira existente na relação entre as instituições de ensino superior públicas com a sociedade e o Estado no âmbito da cultura.

Segundo Carlos Levi, a 1ª Conferência Interuniversitária de Cultura do Rio de Janeiro é desdobramento de outras iniciativas que vêm sendo desenvolvidas pelas universidades no cenário cultural. Para ele, essa participação das instituições de ensino superior na área é de extrema relevância, uma vez que a cultura auxilia a educação. O reitor manifestou o desejo de a conferência definir ações concretas para serem realizadas o quanto antes.

Cultura e políticas culturais

Os temas “Democratização da Cultura: Sociedade, Estado e Mercado”, “Sistema Nacional de Cultura”, “Universidade e Cultura na Sociedade Contemporânea”, e “O Fórum Interuniversitário de Cultura do Rio de Janeiro” fizeram parte da mesa de debate, que contou com a participação de Leonardo Guelman e Luiz Augusto Rodrigues, ambos da UFF, Adair Rocha, da Uerj, e Carlos Vainer.

Leonardo Guelman ressaltou a necessidade de se pensar a cultura para além da arte. Para ele, “a cultura não é algo que se oferta”, pois não possui uma unidade: é a dimensão constitutiva da cidadania e do indivíduo, a multiplicidade de visões de mundo. Nesse sentido, a democratização da cultura é a compreensão das diferentes identidades, tradições e subjetividades.

No entanto, a presença do mercado na cultura faz com que ela apareça como algo que está fora, que pode ser adquirido, apesar de estar presente em todos. Assim, Guelman questiona “se a cultura não me define, como vou entender o outro?”, alertando para o perigo de uma “colonização cultural”.

Adair Rocha declarou que busca uma política de Estado para a cultura, que é o Sistema Nacional de Cultura. Para ele, a universidade deve convergir atores sociais para um projeto de planejamento e gestão, no qual a sociedade é protagonista, com o objetivo de democratizar a cultura.

Romper os muros

“A cultura está em permanente processo de formação dela mesma”, disse Luiz Augusto Rodrigues ao defender que a cultura não é algo fechado. No entanto, ele alertou para o fato de que as universidades têm se vedado para a sociedade, permanecendo “ensimesmadas”, produzindo muito conhecimento, mas o mantendo dentro de seus campi.

O diretor do Fórum de Ciência e Cultura considerou que as instituições públicas de ensino superior devem tomar partido nas políticas culturais, pois, assim, seria possível preservar a multiplicidade cultural humana, o que é uma das funções da universidade. Para ele, “a cultura deve ser vista como espaço público, e o espaço público, visto como cultural”.

Carlos Vainer sustentou que o Fórum Interuniversitário de Cultura do Rio de Janeiro (FIC) visou abrir as universidades para espaços de diferentes experiências. Há planos de, por exemplo, fazer um festival universitário durante a Copa do Mundo e produzir um guia universitário mensal que divulgue manifestações culturais e artísticas.