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Instituto de Psiquiatria promove discussão sobre saúde mental e trabalho

O Instituto de Psiquiatria da UFRJ (Ipub) recebeu, na última sexta-feira (14), a psiquiatra Edith Seligmann-Silva para falar da relação entre desgaste mental e trabalho. O encontro, denominado “Saúde e Trabalho na UFRJ”, aconteceu no Auditório Leme Lopes, no campus da Praia Vermelha.

Carolina Carvalho

O Instituto de Psiquiatria da UFRJ (Ipub) recebeu, na última sexta-feira (14), a psiquiatra Edith Seligmann-Silva para falar da relação entre desgaste mental e trabalho. O encontro, denominado “Saúde e Trabalho na UFRJ”, aconteceu no Auditório Leme Lopes, no campus da Praia Vermelha.

O evento foi iniciado pela assinatura do Acordo de Cooperação Técnico-Acadêmica em Saúde do Trabalhador. Terezinha Ramos, chefe da Seção de Programas Especiais, declarou que trabalhar com a academia unida à área técnico-administrativa seria uma atividade complexa e de construção eterna. “É a realização de um sonho”, resumiu. Segundo ela, o acordo tem por objetivo reconhecer a importância do servidor e da preservação de danos à sua saúde.

Após a assinatura, a convidada Edith Seligmann-Silva deu início à sua palestra, intitulada “Trabalho e Desgaste Mental: duplo desafio à Universidade brasileira”. Ela afirmou que ainda há uma enorme desconexão entre a saúde mental e o trabalho nas universidades, e parabenizou a UFRJ pelo tratado. “Esse é um grande esforço de integração”, atestou. “Espero que esse acordo possa se abrir a outras áreas da universidade.”

A psiquiatra criticou o modelo neoliberal da economia, acusando-o de reduzir a autonomia profissional das pessoas. Para ela, a enorme demanda por resultados rápidos, provocada pela competição e pelo desejo de lucros, transforma o profissional em um “burrocrata” e faz com que ele adoeça. Edith citou a Alemanha como exemplo, país que estuda as doenças cardiovasculares, principal causa de mortes no mundo inteiro, em conjunto com a saúde do trabalho.

A palestrante expôs, ainda, os danos que o desgaste mental pode causar às pessoas que dependem do profissional em questão. O erro cometido por um médico pode provocar mortes, assim como o momento de distração de um motorista de ônibus. “É uma gestão destrutiva da saúde e da ética. Os profissionais não têm tempo nem de conversar entre si para lutar contra esse modelo”, disse Edith.

Para que a integridade mental do trabalhador seja respeitada, de acordo com a psiquiatra, os gestores precisam considerar a complexidade das pessoas administradas por eles. Muitas vezes, os profissionais são considerados apenas um recurso ou um “fator humano” dentro da empresa. “Esses gestores precisam colocar em prática o que aprenderam nas escolas de administração”, assegurou Edith.