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Porto Maravilha, para quem?

Na última quarta feira (25/05) ocorreu o debate “Porto Maravilha, para quem?” – parte do ciclo de palestras do Centro Acadêmico da Faculdade de Arquitetura (FAU) da UFRJ – em que foi discutido o projeto de revitalização da Zona Portuária do Rio de Janeiro.

Na última quarta feira (25/05) ocorreu o debate “Porto Maravilha, para quem?” – parte do ciclo de palestras do Centro Acadêmico da Faculdade de Arquitetura (FAU) da UFRJ – em que foi discutido o projeto de revitalização da Zona Portuária do Rio de Janeiro.

Estiveram presentes Augusto Ivan de Freitas, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) e representante da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (CDURP), Marcelo Edmundo, representante da Central de Movimentos Populares (CMP) e o professor Claudio Ribeiro, membro do Programa de Pós-graduação em Urbanismo (PROURB) da FAU.

Freitas explicou o projeto abordando seus objetivos e as necessidades que levaram à sua elaboração. “Em muitas cidades há um afastamento das atividades administrativas do centro. Mas, no Rio isso não acontece, e o centro está crescendo, ainda. A grande rival da região central é a Barra, mas ainda enfrenta o problema da acessibilidade. Sendo assim, o lógico é que a cidade cresça para o lado da região portuária”, explicou o professor.

Para explorar o novo potencial construtivo da região  os interessados deverão comprar os Certificados de Potencial Adicional Construtivo, chamados de Cepac, títulos mobiliários, que serão negociados no mercado, por meio de leilões. Esses títulos geraram grande polêmica, porque a administração da área passa para uma empresa privada. Para Freitas, essa situação está bem resolvida: “Quem controla essas empresas é a Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur). Esse órgão está no cerne da prefeitura e, além disso, o projeto foi votado”, esclarece.

Para Marcelo Edmundo, a situação atual da área é de degradação e pobreza e quando a Zona for revitalizada, os atuais moradores serão expulsos pelo aumento repentino no padrão econômico, se não forem incluídos de alguma forma, no projeto. “O projeto tem o objetivo de revitalização da área. De mercantilização da área. O poder público transfere o controle para empresas que vão controlar toda a região” – avalia Edmundo, que reforça a crítica – “esses investimentos ignoram as tradições culturais e as pessoas que moram na área”.

Para Claudio Ribeiro é importante notar que houve união das forças em prol de um projeto importante e isso já é um progresso: “É importante a aliança entre o governo do estado, do município e da União. Houve um alinhamento de várias forças do capital para fazer um grande projeto na região.“ Segundo o professor, esse tipo de projeto grandioso como a derrubada do Morro do Castelo, ou a “criação” da Barra da Tijuca são importantes, mas tem um caráter discriminatório. “Pode ser difícil ver quem foram as lideranças, mas, é fácil identificar quem foram os prejudicados. Sempre houve um ‘derrotado’. São eles os pobres do Rio de Janeiro, que foram expulsos do centro para locais mais distantes. As forças dominantes foram construindo o seu próprio espaço”, explica Ribeiro.

O debate teve grande presença de público, especialmente estudantes da FAU. Para Paloma Monnerat, estudante do 8º período de Arquitetura e Urbanismo, esse tipo de discussão é sempre importante, mas, o tem abordado é, particularmente, de grande interesse para os alunos da Faculdade. “Esse tema em particular realça a responsabilidade social do arquiteto. No futuro nós podemos ser um possível agente de uma operação como essa, inclusive ir contra uma modificação” comenta a estudante.