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Marxismo e desenvolvimento, as mudanças em questão

Aconteceu, na última terça-feira (24/05), o último dia do II Workshop de História do Pensamento Econômico Brasileiro. O evento foi dividido em duas partes, sendo a primeira uma mesa que discutiu a importância do Centro Celso Furtado, e a segunda a importância do pensamento econômico pelo viés da “Revolução Brasileira”.

Aconteceu, na última terça-feira (24/05), o último dia do II Workshop de História do Pensamento Econômico Brasileiro, apresentado pelo Laboratório de Estudos Marxistas José Ricardo Tauile (Lema), e pelo Instituto de Economia (IE) da UFRJ, realizado na casa de Ciência e Cultura da UFRJ. O evento foi dividido em duas partes, sendo a primeira uma mesa que discutiu a importância do Centro Celso Furtado, e a segunda a importância do pensamento econômico pelo viés da “Revolução Brasileira”.

Rosa Freire D’Aguiar Furtado, jornalista graduada pela PUC-Rio, apresentou o trabalho do Centro, que, a princípio, foi idealizado pelo ex-presidente Lula. No entanto, Rosa foi quem reuniu a biblioteca de Celso Furtado e doou para a instituição. A iniciativa deu início a um projeto editorial que hoje conta com diversos livros publicados e disponibilizados em um acervo disponível na internet. “Fora das universidades, é a grande biblioteca econômica brasileira”, afirma Rosa Freira D´aguiar. “Basicamente a ideia do centro se constitui em três vertentes: a primeira, formar para o desenvolvimento, a segunda o debate para o desenvolvimento e como terceira vertente, a documentação”, enumera. “Outro objetivo é manter a obra disponível para as próximas gerações”, completa.

A segunda mesa da manhã foi formada por Aloisio Teixeira, reitor da UFRJ e professor do Instituto de Economia (IE) da UFRJ, além dos pesquisadores do Laboratório de Estudos Marxistas (Lema) Marco Antônio Rocha e Rodrigo Castelo. Rocha iniciou a palestra colocando a questão “Como o pensamento econômico se engendra no quadro de revolução”, acrescentando que “a ideia de Revolução Brasileira deve ser entendida a partir do pré-golpe de 64. A partir dele, surge uma série de pensamentos críticos a níveis econômicos, com foco nas bases de dominação sejam elas internas ou externas”, afirmou.
 
De acordo com Rodrigo Castelo, “a revolução brasileira faz parte da história do pensamento econômico brasileiro”. Para o pesquisador, é preciso “tomar cuidado com as críticas e como elas constroem a história”. Ainda segundo Castelo, “o subdesenvolvimento não é consequência do capitalismo, mas sim, condição fundamental para sua existência, o próprio conceito de desenvolvido supõe a ideia de algum subdesenvolvido”.

O professor Aloisio Teixeira encerrou mesa. “Quando eu olhei o tema da Revolução Brasileira pensei, ‘O que podem fazer hoje, as pessoas, os grupos, que tenham uma perspectiva marxista?’ Olhar para esse mundo de hoje e repensar os conceitos socialistas é o grande dilema que se coloca, devemos lembrar que a paixão também tem um importante papel na política”, concluiu.