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Laboratório Cultura Viva: por uma produção coletiva e colaborativa

Na última quarta (22/02), o Laboratório Cultura Viva realizou o lançamento de sua Plataforma de Produção Colaborativa na Internet. O laboratório projeto realizado pela Escola de Comunicação, em parceria com o Ministério da Cultura, com o objetivo fortalecer a produção audiovisual dos Pontos de Cultura.

Na última quarta (22/02), o Laboratório Cultura Viva realizou o lançamento de sua Plataforma de Produção Colaborativa na Internet. O Laboratório Cultura Viva é um projeto realizado pela Escola de Comunicação da UFRJ, em parceria com o Ministério da Cultura/ Secretaria de Cidadania Cultural, que tem como objetivo fortalecer a produção audiovisual dos Pontos e Pontões de Cultura, através da difusão, exibição, formação, pesquisa e experimentação em audiovisual e multimídia.  Durante o evento, Maurício Bignel, um dos coordenadores do Laboratório, apresentou o edital para a produção de documentários dos Pontos de Cultura, que virão a compor uma revista eletrônica a ser lançada ainda em 2011.

A plataforma lançada permitirá aos usuários cadastrados postarem material audiovisual com uma diferença fundamental de outros sites do gênero: todo material postado fica disponível para que outros usuários o editem – fazendo remixes de vídeos e inclusão de trilhas, por exemplo – através de um software livre de edição disponível no próprio site. De acordo com Cícero Inácio da Silva, coordenador do Grupo de Estudos de Software no Brasil e um dos programadores da plataforma, esta interatividade “aumenta significativamente o diálogo entre as produções e os produtores, apontando para o objetivo principal do projeto que é, justamente, estimular o modo de produção coletivo e colaborativo. O Labculturaviva.org é uma verdadeira rede social para a produção audiovisual”.

Ivana Bentes, diretora da Escola de Comunicação da UFRJ e uma das coordenadoras do Laboratório, acredita que o maior apoio dado pelo poder público a projetos desse gênero é um indicativo de que a Indústria não vai mais ocupar o lugar privilegiado dos investimentos e das políticas públicas de Cultura em nosso país. De acordo com a docente, “toda a produção de caráter coletivo e colaborativo, que sempre foi alvo de menores atenções por parte do poder, que sempre ficou com a franja dos investimentos públicos, hoje é o verdadeiro ‘centro das atenções’ dessas políticas”. Ivana acrescenta ainda que todo esse processo se desenvolve como expressão do entendimento de que “a produção cultural vem se universalizando; o artista não é mais exceção, e, sim, regra. A sociedade inteira produz cultura, portanto não faz mais sentido em só ter olhos para as indústrias”.

Ana Paula Santana, secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura, também esteve presente ao evento e apontou algumas direções possíveis de sua gestão. Para ela, é necessário que se concentrem os esforços públicos no desenvolvimento do processo criativo, não no produto final. “Afinal, se o processo é ruim, o produto final também é ruim”, conclui a secretária. Ana Paula afirma ainda que “estamos diante de um ambiente institucional que vai nos permitir rever a Cultura do jeito que ela deve ser vista: como uma produção vasta, conjunta e popular”.

Debate

O evento também contou com uma mesa de debates em que convidados e o público puderam compartilhar diferentes experiências de plataformas de produção colaborativa, como é o caso da Rede Iteia, que tem o objetivo de ser um importante acervo da produção multimídia de centros culturais nacionais e internacionais; e da TV Software Livre, que é um projeto da ONG Associação Software Livre do Rio Grande do Sul, cujo objetivo é o de transmitir pela internet palestras, atividades e tutoriais que estejam relacionados com tecnologias livres e de código aberto.