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PR-4 negocia redução de reajuste em Plano de Saúde

Plano de Saúde firmado entre a Golden Cross e a UFRJ para um grupo de servidores e seus dependentes no início da década de 1980 transformou-se numa fonte de “dor de cabeça”.

Plano de Saúde firmado entre a Golden Cross e a UFRJ para um grupo de servidores e  dependentes no início da década de 1980 transformou-se numa fonte de “dor de cabeça”. Nos últimos anos, cada reajuste anual proposto pela empresa tem superado em muito a margem compatível com a possibilidade de pagamento de seus integrantes. “Nos anos de 2001, 2002 e 2005, por exemplo, os reajustes foram da ordem de 40%, e para este ano de 2010 foi anunciado 48,04%, o que é um absurdo diante dos valores de reajustes de nossos salários”,  argumenta a professora aposentada Bettina A. L. Callafate, que há mais de 30 anos desconta para o Plano.

Atualmente, são 119 pessoas , no jargão das empresas de saúde, 119 vidas integrantes do grupo,  que, segundo os cálculos atuariais da Golden Cross, têm uma alta taxa de sinistralidade (uso do plano para cobrirem despesas com a manutenção da saúde), o que eleva o percentual dos reajustes das mensalidades quando os custos são repartidos entre o conjunto dos participantes. Esta taxa também leva em conta a idade acima de 60 anos da maioria dos membros do grupo, que vem se reunindo com o Superintendente da Pró-reitoria de Pessoal da UFRJ (PR-4), Roberto Gambine,  a fim de que universidade auxilie na negociação de um acordo mais favorável.

Para Salatiel Menezes, professor aposentado da UFRJ e também usuário do Plano, esta mediação é necessária, pois a Agência Nacional de Saúde Complementar, responsável pela fiscalização dos Planos de Saúde, não mais fixa os reajustes de planos antigos como este,  anterior a legislação baixada em fins da década de 1990. "Logo, ficamos à mercê das exigências da empresa, que estatutariamente é ‘sem fins lucrativos’", comenta  o professor, que também é 2º Vice-presidente da Seção Sindical dos Docentes da UFRJ  (Adufrj). Para ele, parte desse desequilíbrio nos preços das mensalidades se deve ao fato de, ao longo dos anos, a Golden Cross ter impedido o acesso de novas pessoas a esse Grupo, que teve o nome de Plano Dame rebatizado, por volta de 1996, de Club DAME, fechando totalmente o grupo de forma unilateral. “Eu pagava a mensalidade de R$ 1.676,74, e neste mês de novembro o valor anunciado é de R$ 2.356,84, só para uma pessoa”, destaca a professora Ella Dottori.

Nas negociações dos últimos três anos, com a presença do representante da PR-4, foi possível reduzir os reajustes propostos de 45% em 2008 para 15%; de 20% em 2009 para 10% e agora, em fins 2010, espera-se obter uma redução significativa dos 40,3% propostos pela empresa.

Para Roberto Gambine, a hipótese de se abrir o grupo para que outras pessoas, mais jovens, possam integrá-lo, não está descartada como elemento da negociação, o que ajudaria a reduzir a taxa de sinistralidade e o percentual dos futuros aumentos.

O representante da Golden Cross apresentou em negociação com a PR-4 uma nova proposta, da ordem de 26% de reajuste, incluindo o aumento de 7,30% concedido pela ANS a todos os Planos de Saúde, mas os integrantes do Grupo, reunidos dia 19 de novembro no prédio da Reitoria, a consideraram alta: “É preciso que a Golden leve em conta os reajustes de nossos salários e os aumento oficiais concedidos a outros planos, bem menores do que o proposto”.