Categorias
Memória

Síria, o resgate das origens

O Fórum de Ciência e Cultura (FCC) da UFRJ sediou o projeto “Oriente Ocidente”. Criado em 2002 sob a curadoria do professor Jeovah de Arruda Câmara, o evento objetiva divulgar a cultura e fortalecer as relações entre a UFRJ e países islâmicos.

O Fórum de Ciência e Cultura (FCC) da UFRJ sediou o projeto “Oriente Ocidente”. Criado em 2002, sob a curadoria do professor Jeovah de Arruda Câmara, o evento objetiva divulgar a cultura e fortalecer as relações entre a UFRJ e países islâmicos.

No primeiro dia do evento (30/09), foi realizada a palestras da professora Maria Guadalupe Feijó, do Instituto de Biologia (IB) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Também além foram realizadas exposições de trajes típicos, apresentações de música e dança árabe, além de objetos como instrumentos musicais, indumentárias, fotografias e objetos de arte. Mereceu a atenção do público uma pequena escultura de pedra com data estimada de 1.800 a.C.

A abertura do evento contou com o pronunciamento de Irahim Issa, cônsul da Síria em São Paulo, que, além de exaltar o país como o grande berço da humanidade, falou com satisfação das relações entre o Brasil e as nações de língua árabe. Já a professora Maria Guadalupe Feijó abordou o conceito dos países islâmicos como “berço da Humanidade”. Para a professora, “a Síria é o ponto inicial das grandes civilizações, onde, há cerca se 10 mil anos, tiveram início a agricultura e o processo de sedentarização de grupos humanos”. A docente lembrou ainda que a capital síria, Damasco, é a cidade habitada mais velha no mundo. Localizada no centro das rotas das caravanas, a cidade é mencionada nas tábuas, escrituras antigas dos faraós e no Velho Testamento.

Foram apresentadas ainda imagens da primeira partitura musical de que se tem registro, sobre a qual músicos ainda hoje trabalham tentando desvelar a melodia escrita. Também foi apresentado um histórico dos primeiros alfabetos de que se tem conhecimento, todos originários daquela região.

Origens e legados do Oriente 

No segundo dia de atividade (01/10), a professora Sueli Medeiros, do Departamento de História da UFRJ, abordou o caráter originário da região. Entre outras curiosidades, a docente esclareceu o equívoco que associa a Babilônia, capital da antiga Suméria, ao sul da Mesopotâmia, onde hoje está localizado o Iraque, a lugares de descontrole e anarquia. Segundo ela, esta associação deve-se ao período em que povos da antiguidade disputavam a região. “A Babilônia, com exceção dos períodos de guerras, era um lugar onde prevalecia a ordem, sendo uma das cidades mais desenvolvidas social e intelectualmente durante a Antiguidade”, explicou.

Sueli também falou sobre influencia da cultura árabe na constituição da cultura Ocidental do passado e do presente. A influência arquitetônica, facilmente verificável na Península Ibérica que esteve, durante um longo período, sob domínio dos mouros, e a Alquimia, aplicada densamente no desenvolvimento da Medicina e da Química, são dois importantes legados deixados pela cultura árabe ao mundo. “Não há limites na riqueza dessa cultura que tanto nos legou e ainda há tanto que nos ensinar”, concluiu.