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Cinema e Política tem espaço no terceiro dia da JIC

A Escola de Serviço Social (ESS) da UFRJ, realizou, na última quarta (06/10), a primeira série de apresentações da XXII Jornada de Iniciação Científica sobre Cinema. Uma abordagem comum a todas as pesquisas, analisada sob variadas perspectivas, foi a relação entre política e cinema.

A Escola de Serviço Social (ESS) da UFRJ, realizou, na última quarta (06/10), a primeira série de apresentações da XXII Jornada de Iniciação Científica sobre Cinema. Uma abordagem comum a todas as pesquisas, analisada sob variadas perspectivas, foi a relação entre política e cinema. De acordo com os trabalhos apresentados, o cinema, assim como outras manifestações artísticas, é fruto de seu tempo e cultura, podendo ser um valioso documento histórico para a análise de uma sociedade e de sua memória.

O primeiro trabalho, apresentado pelas estudantes Heryka Cilaberry e Natália Passos, da Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ, analisou o filme O Leitor (2009). Orientada pela professora Ieda Tucherman, a pesquisa teve por objetivo analisar a própria visão dos personagens relacionados ao regime nazista sobre este sistema político – que pressupõe a obediência hierárquica – relacionando esta ótica com o conceito de "sociedade disciplinar", conceito cunhado pelo filósofo francês Michel Foucault.

Para isso, a pesquisa acompanha a trajetória dos sentimentos e ações de "Hanna", personagem interpretado por Kate Winslet. Condenada por um tribunal alemão pelo extermínio de dezenas de judeus, Hanna inicia um relacionamento com o advogado Michael Berg, que a levará a uma revisão de seus valores.

Já as estudantes Aline Marques Gomes e Marcela de Castro Monteiro, da Escola de Serviço Social (ESS) da UFRJ e pesquisadoras do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direito Humanos (Nepp-DH), apresentaram uma pesquisa sobre a produção cinematográfica latino-americana relacionada aos seus respectivos períodos ditatoriais, especificamente nos casos brasileiro, chileno, argentino e uruguaio. Além de citar e explicar brevemente obras documentais e ficcionais nesses diferentes países, as pesquisadoras ressaltaram a importância do cinema como resgate de memória e instrumento político. No caso brasileiro, o trabalho abordou questões relativas a esse período ainda pouco esclarecidas.

A terceira apresentação analisou de forma breve o cinema alemão durante o período nazista a partir de uma leitura da obra Olympia, do diretor Leni Riefenstahl. A pesquisa  busca mostrar a posição dos nazistas ante o seu próprio regime. Para isso, trabalha filosoficamente com conceitos como a dicotomia antigo/moderno e a estrutura totalitária. Entre as sustentações teóricas do pesquisador estão Susan Sontag, com sua premissa de que a cultura é parte integrante do poder estrutural de um Estado; Walter Benjamin, com a idéia de que o cinema deve ser utilizado como instrumento de questionamento da ordem; e os teóricos Adorno e Horkheimer, com o conceito de Indústria Cultural.

A penúltima apresentação trazia o tema “A Argentina Contemporânea nas Falas de Juan José Campanella”. Ainda em fase inicial, a pesquisa realizada pela aluna Luana Chaves de Faria, do Departamento de História da UFRJ, analisa a obra do diretor argentino – atualmente consagrado com o Oscar de melhor filme estrangeiro com a obra O segredo dos seus olhos – e sua importância no resgate de memória dos períodos de crise econômica vividos pelo país nas décadas de 1980 e 1990.

Samuel Lara Lobo e Janaína Castro Alves apresentaram o último trabalho da noite com o título “Fazer Cinema: As Estruturas Mercadológicas e as alternativas para Produção e Difusão Cinematográfica”. Orientados pela professora Anita Matilde Lopes Leandro, os estudantes de Rádio/TV, da ECO-UFRJ, analisam a grande dificuldade enfrentada pelas obras da unidade em adentrar no mercado audiovisual. Além disso, apontaram a grande importância dos festivais, que vem se multiplicando em todo país, na divulgação e no incentivo dado a novos realizadores. Também expuseram alguns dos problemas relativos ao financiamento da produção cinematográfica no Brasil, propondo modificações que encaminhariam à democratização do processo.