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Inclusão na UFRJ: “Indo direto ao ponto”

O diretor da Educafro Frei Davi e o professor do Instituto de Economia Marcelo Jorge de Paula Paixão apresentaram ao reitor Aloisio Teixeira uma carta aberta, destinada a colaborar com o debate sobre políticas afirmativas que vem sendo realizado em  instâncias colegiadas da Universidade.

 

O reitor da UFRJ, Aloisio Teixeira, recebeu, nesta terça-feira (9/6), no gabinete da reitoria, o diretor da Educafro Frei Davi e o professor do Instituto de Economia Marcelo Jorge de Paula Paixão.  Eles apresentaram ao reitor uma carta aberta, destinada a colaborar com o debate sobre políticas afirmativas que vem sendo realizado em  instâncias colegiadas da Universidade.
 
Confira abaixo a íntegra da carta.
 
INCLUSÃO NA UFRJ: INDO DIRETO AO PONTO
CARTA ABERTA PARA AJUDAR NO DEBATE

I – Introdução
Sabemos que em 100% das Universidades e Instituições Públicas que adotaram algum método de INCLUSÃO de brancos pobres, negros/as e indígenas, sempre ganhou a proposta defendida pelo Reitor/a. Neste contexto é que se insere a reunião da Educafro e outros representantes da sociedade com o Reitor da UFRJ, Professor Aloísio Teixeira. Nosso objetivo é chegar a uma proposta razoável e sairmos unidos, em defesa desta, em todas as instâncias onde acontecerão debates. Por dezenas de vezes o Reitor afirmou que a UFRJ é muito elitista! Ele tem toda razão! A nossa proposta procurou ser 100% coerente com a visão do Reitor e ajudá-lo a enfrentar este desafio com firmeza, amplitude e determinação.
 
II – Voltando no tempo
O Jornal O Estado de São Paulo de 23/03/2004 afirma: “Na contramão dos sistemas adotados pelas universidades estaduais do Rio e, mais recentemente, pela Universidade de Brasília (UnB), Teixeira rejeita as cotas para negros, que, em sua opinião, ‘continuam a formar uma elite’ dentro do número reduzido de universitários no Brasil.” Para manter a coerência desta e de outras dezenas de afirmações do nosso Reitor, afirmando que a UFRJ é muito elitizada, a Educafro elaborou uma proposta estritamente harmoniosa com este princípio emanado pelo Reitor. Também não queremos privilegiar uma elite negra e nem levar a UFRJ a formar apenas os negros da elite. Daí a importância de ser ter o corte socioeconômico para TODOS os ingressantes! No entanto, entendemos que o Reitor quer ser coerente e não vai deixar que a UFRJ continue a formar apenas a elite branca como fez até os dias atuais. Quantos médicos brancos foram formados nestes 90 anos? E quantos médicos negros? Como reparar este ato danoso? A Educafro, acreditando na razoabilidade do Reitor, elaborou a proposta que apresentamos abaixo.
 
III – Chegando ao hoje
Além de ler e ouvir muitas vezes pela imprensa, etc., a bonita postura do reitor denunciando que a UFRJ é elitizada, a Educafro e outros membros da sociedade civil participaram de vários CONSUNI onde se percebeu uma nítida opção por uma proposta de inclusão social. A proposta abaixo está também em total sintonia com a fala/discurso da maioria dos membros do CONSUNI, que defenderam uma inclusão estrita e comprometidamente social. Acreditamos que eles entendam a inclusão social no seu sentido pleno. A proposta que fazemos abaixo é justamente isto: 100% fundamentada em critério social! Vejamos:
 
IV – A proposta
Do total das vagas, 50% seriam disponibilizadas para o ingresso via ENEM, atendendo o que deseja o Reitor. No entanto, em congruência ao desejo do Reitor e outros conselheiros, todos os que entrarão pelo ENEM atenderão à norma de terem renda per capita de um salário mínimo e meio, a mesma que o MEC exige das Universidades Particulares que cedem vagas públicas via ProUni. Seria falta de ética se exigir este corte socioeconômico das Universidades Particulares e não se exigir das Universidades Públicas.  Este corte social evitará o abuso que se perpetua na sociedade brasileira, onde quem tem dinheiro para pagar cursinhos caros (a elite) tem o privilégio de entrar nas universidades públicas de qualidade e de graça! Nesta proposta não haverá cotas para negros, no entanto, a universidade criará mecanismos para garantir que brancos, indígenas, e negros estejam representados conforme sua presença na sociedade do Estado do Rio de Janeiro.
 
Para o restante das vagas os candidatos serão selecionados através de um vestibular próprio da UFRJ, sendo que os 50% restantes das vagas serão destinados a candidatos/as que possuem renda per capita de até três salários mínimos. Não haverá cotas para negros, no entanto a universidade criará mecanismos para garantir que brancos, indígenas, e negros estejam representados conforme sua presença na sociedade do Estado do Rio de Janeiro.
 
Como se vê, É UMA PROPOSTA 100% SOCIAL! Perguntamos: será que os defensores de cotas sociais conseguem apresentar proposta mais social do que esta? Ou não é bem isto o que está em jogo? ALGUÉM TERÁ A CORAGEM DE SER CONTRA ESTA PROPOSTA QUE ESTÁ 100% PREOCUPADA COM A INCLUSÃO DOS MAIS POBRES DE TODAS AS ETNIAS?  Com esta proposta estaremos dando um basta à farra dos mais abastados dentro da UFRJ que ocupa quase 100% das vagas da medicina, por exemplo?
 
 
 
Assessoria de Políticas Públicas da Educafro
 
 
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Diretor Executivo