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Vacina pode ser alternativa ao tratamento de HIV

O coquetel já utilizado pelos portadores do vírus HIV pode ganhar um novo aliado: uma vacina terapêutica.

 

O coquetel já utilizado pelos portadores do vírus HIV pode ganhar um novo aliado: uma vacina terapêutica

 Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), resultou na produção de um vírus artificial de HIV, a partir de uma manipulação genética com técnicas de clonagem, capaz de torná-lo inativo.

Esta descoberta significa mais um passo dado nos estudos contra a AIDS e pode proporcionar melhoria na qualidade de vida do portador de HIV. De acordo com Amilcar Tanuri, pesquisador do Laboratório de Virologia Molecular, do Instituto de Biologia da UFRJ, a vacina ainda não poderia substituir o coquetel, mas durante os testes em pacientes pode mostrar força capaz de suspendê-lo por um tempo. 

“Nada ainda é comprovado, um teste feito pelos europeus conseguiu suspender o coquetel por no máximo um ano e meio. Essa vacina ainda não foi testada em um grande grupo de portadores do vírus, só após os testes poderemos saber seu verdadeiro potencial”.

Mesmo não tendo o poder de substituir o coquetel, a vacina, que ao contrário da medicação tradicional não possui nenhum efeito colateral, pois apenas estimula as defesas naturais do organismo, contribuiria para evitar a infecção de outras células: “A vacina é individualizada, pois coletamos o vírus do próprio paciente. A ideia é injetar a célula modificada e tentar que o paciente se adapte a essa nova célula, utilizando o coquetel que já está no sangue para manter vírus suprimido, depois retiramos a medicação e o paciente fica apenas com a vacina”, explica o pesquisador.

Necessidade de investimentos do governo

Segundo o professor, a UFRJ contribui com a pesquisa na área de virologia por ser detentora da tecnologia necessária para a manipulação do vírus. Já a USP responsabiliza-se pela área de imunologia da pesquisa. Enquanto a UFPE, além de ser a produtora do vírus artificial, estuda a criação de um centro de produção em massa da vacina com qualidade. A parceria das três instituições resultou na criação dessa tecnologia de grande valia aos portadores de HIV. Contudo, há ainda a necessidade de aprovação do projeto pelo congresso e do financiamento para a execução dos testes e produção da vacina.

“Este é um processo caro. Para chegar à célula artificial, é necessário separar, transportar, manipular células e fragmentos. Por isso a fase de testes ainda não se iniciou”, afirma Tanuri. Em virtude disso, os testes só devem ser iniciados no ano de 2011.