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Os riscos da exposição ao mercúrio

Pesquisa avalia a quantidade de mercúrio em suspensão numa clínica odontológica para analisar a concentração do elemento químico na urina dos trabalhadores e na realização de procedimentos. O objetivo é melhorar as condições do ambiente de trabalho.

Pesquisador avalia danos causados pelo elemento numa clínica odontológica

Foto: Banco de Imagens UFRJ 
 Investigar a quantidade de mercúrio presente num consultório dentário tendo em vista a melhora do ambiente de trabalho. Esse foi o objetivo da dissertação de mestrado “Avaliação de Exposição ao Mercúrio em Consultório Dentário de uma Empresa de Serviço Social”, do dentista Ivisson Carneiro Medeiros da Silva, que lhe conferiu o título de mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (Iesc-UFRJ).

Segundo o pesquisador, o mercúrio é classificado como uma substância perigosa. Ele atravessa a barreira hematoencefálica se depositando no Sistema Nervoso Central causando tremor nas mãos, problemas de memória, alteração de visão e ainda pode provocar disfunções renais. Alguns estudos também mostram grandes concentrações de mercúrio em placentas de mulheres grávidas relacionadas à quantidade de restaurações de amálgama nos dentes.

O elemento químico é utilizado para diversos fins, como mineração de ouro, fabricação de lâmpadas, baterias, fábricas de tintas, entre outros. E na odontologia é um dos componentes das restaurações de amálgama de prata, forma uma liga com prata, estanho, zinco e outros componentes do material restaurador. No entanto, em muitos países, sua utilização odontológica já foi proibida, mas devido a seu baixo custo e pela facilidade e domínio da técnica, ainda é bastante utilizado, principalmente no setor público e regiões do interior.

Sob orientação do professor Volney de Magalhães Câmara, coordenador da linha de pesquisa "Indicadores de Exposição e Efeitos dos Poluentes Ambientais e Ocupacionais" do Iesc, Ivisson desenvolveu sua pesquisa para avaliar a quantidade de mercúrio em suspensão numa clínica de serviços odontológicos da empresa de Serviço Social do Comércio (Sesc). Além de analisar a concentração do elemento químico na urina dos trabalhadores e o quanto de mercúrio seria observado durante a realização de determinados procedimentos, com o fim de auxiliar na implementação de melhorias das condições do ambiente de trabalho.

Para tanto, “foi realizado um estudo no qual observamos uma semana de trabalho em uma clínica com seis cadeiras odontológicas. Fizemos medições a cada hora da concentração instantânea do mercúrio com o analisador Portátil Lumex (Saint Petesburg, Rússia) em cada cadeira, onde observamos o procedimento que era realizado. Ainda coletamos a primeira urina da manhã dos profissionais”, relata o dentista. Esse material foi analisado no Laboratório de Absorção Atômica da Puc-Rio, sob a coordenação do Professor Reinaldo Calixto de Campos.

Os resultados mostram que “as concentrações de mercúrio tanto no ambiente como na urina dos participantes estavam dentro dos limites estabelecidos pelas normas de regulamentação do Ministério do Trabalho (NR-7 e NR-15). O Mercúrio é classificado como uma substância perigosa e apesar de nossos achados estarem dentro dos limites legais, não podemos pensar que não há risco para os trabalhadores expostos a essa substância”, diz da Silva.

Segundo ele, através do preenchimento de um questionário, participantes do estudo informaram apresentar constantes dores de cabeça,  tonteiras e esquecimento. “Todas essas informações, afastados os confundimentos, podem estar relacionadas com a exposição ao mercúrio”, alerta. Por fim, o dentista avalia que “para evitar a intoxicação, na odontologia, os trabalhadores devem utilizar todos os equipamentos de proteção individual e coletiva e se possível, não utilizar o mercúrio.”