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A verdade sobre alimentos nutracêuticos

Professor do Departamento de Produtos Naturais e Alimentos da Faculdade de Farmácia atenta para a utilização de alimentos nutracêuticos, considerados de caráter farmacêutico por trazerem benefícios à saúde semelhantes aos de alguns fámarcos.

 

 

A terceira edição do Por uma boa causa deste mês, que trata de alimentos que auxiliam na saúde, traz informações sobre nutracêuticos, alimentos considerados de caráter farmacêutico por trazerem benefícios à saúde semelhantes aos de alguns fámarcos. O professor Luiz Eduardo Carvalho, do Departamento de Produtos Naturais e Alimentos da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, traz algumas considerações sobre esse tipo de alimento. 

“Nutracêutico é um termo hoje internacionalmente reconhecido, mas a verdade é que ainda não existe um consenso sobre seu significado. Para a Agência de Saúde do Canadá, por exemplo, ‘um nutracêutico é um produto isolado ou purificado de alimentos, que é vendido sob forma medicinal não usualmente associada com alimento. Um nutracêutico demonstra ter benefício fisiológico ou fornece proteção contra uma doença crônica.’” 

Substâncias nutracêuticas estão presentes em diversos alimentos consumidos no dia a dia. “Há uma ampla gama de substâncias que parecem contribuir para a prevenção ou mesmo cura de doenças, como o licopeno presente no tomate, o resveratrol do vinho, os fitoesteróis da casca da uva e os lactobacilos vivos e os anti-oxidantes, que podem estar presentes, ou não, em alimentos”, expõe o professor. 

“Quando olhamos os exemplos mais populares, porém, nota-se que essa definição não dá conta de abranger toda a ampla diversidade de produtos. É que o termo ‘nutracêutico’ vem sendo adotado para um amplo e diversificado conjunto de substâncias que se situam numa faixa cinzenta, entre comida e remédio, entre nutriente e fármaco, compreendendo não apenas nutrientes tradicionais, como vitaminas, sais minerais, aminoácidos ou ácidos graxos poliinsaturados, mas também não nutrientes como as fibras”, explica o professor.

Luiz Eduardo atenta para a utilização desses alimentos, como forma de cura ou prevenção de doenças, que muitas vezes pode ser limitado. “O problema é que esse conceito indefinido de nutracêuticos é colorido de ‘encantamentos’. Até podem atender a uma preliminar curiosidade dos consumidores, mas não sustenta, nem orienta, as medidas a serem tomadas pelos profissionais envolvidos com a questão, que devem, pelo menos, regulamentar a propaganda dos produtos”, enfatiza. 

Embora alguns alimentos nutracêuticos tenham eficácia comprovada para melhora da saúde, ainda não se compara aos benefícios adquiridos em uma dieta completa e balanceada. “Para vegetarianos, por exemplo, adquirir um nutracêutico com Vitamina B12 talvez seja recomendável. Mas não acredito que esse tipo de alimento tenha muitos benefícios a oferecer a quem se nutre de forma equilibrada, com uma dieta diversificada, incluindo cárneos, lácteos, frutas e vegetais”, diz o especialista. “Mesmo assim devo confessar que, um dia desses, acabei comprando uma caixinha de chicletes ‘fonte de zinco’”, brinca o professor.