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Escola de Serviço Social da UFRJ promove debate sobre cotas

Debate sobre as cotas raciais na Escola de Serviço Social levantou questões em relação à implementação de políticas afirmativas na universidade. A sessão desta quinta-feira (13/05) no Conselho Universitário discute o tema.

O debate sobre as cotas raciais que aconteceu, na última segunda-feira (10/05), no auditório da Escola de Serviço Social (ESS) da UFRJ, levantou questões em relação à implementação de políticas afirmativas na universidade. Representantes de entidades, movimentos estudantis e docentes discutiram o tema. O debate está pautado para a sessão desta quinta-feira (13/05), no Conselho Universitário (Consuni) da UFRJ.

A professora Sabrina Moehlecke, da Faculdade de Educação (FE) da UFRJ, expôs a pesquisa que realiza sobre a permanência dos jovens oriundos de camadas populares e cotistas no ensino superior em todo o país. O professor Marcelo Paixão, do Instituto de Economia (IE) da UFRJ, também apresentou dados que comprovam a disparidade entre  alunos brancos e negros no acesso ao ensino superior. O docente também comparou a realidade brasileira a de países como Estados Unidos e África do Sul, onde as ações afirmativas raciais já são usadas há anos.

A maior parte do público que assistia ao debate manifestou-se favorável à adoção de cotas raciais na UFRJ. A estudante da Escola de Serviço Social, Clara Saraiva, coordenadora de Comunicação do Diretório Central dos Estudantes (DCE Mário Prata) e Executiva Nacional da Assembléia Nacional Estudantes Livres (Anel), se posicionou a favor das cotas raciais, mas enfatizou a necessidade que esta política venha associada à assistência estudantil, sem a qual, a permanência fica impossibitada. “Precisa de bandejão, alojamento, bolsa e toda uma estrutura para que esse aluno tenha condições de freqüentar o seu curso”, afirmou.

Diversas instituições, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), demonstraram solidariedade com a causa, assim como o deputado federal Carlos Minc (PT-RJ), presente no debate. Paixão citou o número de vagas ociosas que poderiam ser aproveitadas por alunos cotistas e enfatizou que mesmo nas universidades onde a política é usada, as vagas utilizadas ainda são insuficientes. “O número de alunos universitários cotistas é de apenas 10%, ou seja, mais ou menos o mesmo número de vagas ociosas”, analisou.  

Ao final do evento, representantes dos movimentos estudantis, professores, estudantes e servidores técnico-administrativos apresentaram propostas para a sessão desta quinta. Entre elas, está a redação de cartas dos diversos segmentos da universidade para serem lidas no plenário pelos conselheiros. “A implementação das cotas é um benefício não para o estudante, mas para nós, para a sociedade como um todo”, finalizou Paixão.