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Esforço conjunto para superação de desafios comuns

O reitor Aloisio Teixeira apresentou à Comissão de Instalação do Complexo Hospitalar da UFRJ duas propostas que poderão aperfeiçoar a gestão do Complexo e facilitar a integração.

 

O reitor Aloisio Teixeira apresentou à Comissão de Instalação do Complexo Hospitalar da UFRJ (CHUFRJ) – formada pelos diretores das nove unidades de saúde da universidade – duas propostas, que poderão aperfeiçoar a gestão do Complexo e facilitar a integração, já em curso, das unidades que o compõem, em reunião ocorrida nessa terça-feira (13/4) no prédio da reitoria da UFRJ.

A primeira: a constituição de um sistema único e integrado de informações que facilite e amplie o diálogo, a troca de informações entre as unidades componentes do Complexo. Para o reitor, esse sistema facilitaria a criação de um setor coordenado, por exemplo, de compras, que tornaria mais racional a aquisição de insumos que não sejam específicos de apenas uma unidade do CHUFRJ.

Além disso, o reitor alertou para a necessidade de a UFRJ apresentar uma proposta única de adesão ao Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf). Aloisio caracterizou o programa como uma espécie de Reuni dos hospitais universitários, o qual contará com recursos do Banco Mundial. Ele deseja que ambas as questões sejam debatidas pela Comissão antes que as propostas sejam encaminhadas ao Conselho Universitário (Consuni).

Estiveram também presentes Sylvia Vargas, vice-reitora, e Almir Fraga, decano do Centro de Ciências da Saúde (CCS), na reunião, a Comissão discutiu o funcionamento do Complexo, as assimetrias entre as unidades que o compõem e a necessidade de articulação entre as mesmas para que concretizem os objetivos comuns.

A consolidação dessa consciência integradora e a superação da fragmentação passam pela aprovação do regimento, que consolidará institucionalmente o CHUFRJ e seus objetivos, criando normas que orientem suas atividades. Para tanto, está sendo preparada uma proposta de regimento enxuta, remetendo, para o futuro e para o colegiado do Complexo, discussões que não são consensuais.

Não obstante, na opinião de Aloisio Teixeira, a ausência de um regimento não é um entrave para as atividades do CHUFRJ, que, por agora, “encontra-se livre de amarras para coordenar as atividades de unidades, acostumadas a se perceberem como estanques e independentes umas das outras”.

Trabalho conjunto

O professor Marcelo Land, diretor do Instituto de Pediatria e Puericultura Martagão Gesteira (IPPMG), enfatizou que a ideia de trabalhar em sistema é benéfica à UFRJ e que o planejamento conjunto das unidades hospitalares trará muito mais benefícios do que se cada hospital ou instituto tentar resolver individualmente suas contendas. Para Land, o regimento é um pacto, uma carta de intenções entre atores sociais.

A reunião abordou as dificuldades vividas pelo Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), nos últimos meses. Segundo o reitor, o HUCFF passa por um momento difícil e isso diz a respeito a toda a universidade. “Um desastre para o HUCFF seria um desastre para a UFRJ e para todas as demais unidades de saúde”, salientou Aloisio Teixeira, destacando que há grandes assimetrias de tamanho e de funções entre as unidades que compõem o CHUFRJ e que as mesmas não devem ser relativizadas: “não podemos tratar todas as unidades como iguais. Reconhecê-las (as assimetrias) é importante para construirmos o Complexo. Mas, o modo como será feita a integração não está dado, de antemão”.

Para Márcio Versiani, diretor do Instituto de Psiquiatria (Ipub), o HUCFF é como uma espinha dorsal, “ele se ajeitando, tudo se ajeita”. No entanto, Versiani faz ressalva: “mas, quem é grande e forte deve ter cuidado ao se movimentar, para não machucar os menores”, indicando o respeito e o cuidado.

José Luiz Cavalcanti, diretor do Instituto de Neurologia Deolindo Couto (INDC), explicitou o temor que cercava muitas unidades hospitalares à ocasião da criação do CHUFRJ. “O medo de que a ‘nave-mãe HUCFF’ englobaria os aviões menores, que perderiam suas identidades, prejudicou a compreensão da ideia do Complexo”, confessou o dirigente.

O diretor do HUCFF, José Marcos Raso Eulálio, garantiu que a recíproca era verdadeira, e que o HUCFF também temia a perda de sua identidade. Mas, na reunião, Eulálio assegurou que o Hospital precisa reconhecer seus problemas e que a solução dos mesmos passa pela universidade e pelo Complexo Hospitalar, sendo preciso, para isso, conciliar discurso e ação. “Estou otimista, porque estou conhecendo o verdadeiro potencial do HUCFF, aquilo do que ele é capaz de fazer quando bem administrado”, tranquiliza o diretor.

Apesar do aparente consenso construído em torno da convicção de que a área de saúde da UFRJ deve buscar o diálogo e a coordenação de esforços e que a construção desse futuro comum se dará em torno do CHUFRJ, Aloisio Teixeira não se deu por satisfeito e, utilizando como analogia o conceito clássico de Economia do “ótimo de Pareto” (situação na qual não é possível trazer mais ganhos a um agente sem que isso prejudique os demais), afirmou que as soluções para o Complexo não deverão ser as melhores para esta ou aquela unidade, mas as que melhor funcionem para o todo, enfatizando que “eu quero avançar”.