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Associação da cárie em crianças infectadas pelo HIV

Pesquisa da UFRJ mostra que a cárie ocorreu em um índice muito elevado em crianças contaminadas pelo HIV quando comparadas às não infectadas. O fato estaria associado à levedura Cândida.

A Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FO/UFRJ) realizou uma importante pesquisa que buscou verificar a presença da levedura Cândida spp. no biofilme dental de crianças portadoras do vírus HIV. Tal pesquisa propôs determinar a relação entre espécies de Cândida isoladas presentes em pacientes infantis infectados pelo HIV com a doença cárie.
O estudo contou com amostras de crianças infectadas pelo HIV, na faixa etária de 3 a 12 anos, que fazem parte do Serviço de Aids Pediátrica do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPMG/UFRJ) e foi acompanhado pelo Projeto Sida/Aids em Odontopediatria da FO/UFRJ. Além disso, contou com a aprovação do Comitê de Ética Local do IPPMG. 
Senda Charone, pesquisadora e especialista em Odontologia em Saúde Coletiva da FO/UFRJ, explica melhor a pesquisa e sua importância para o meio científico. Segundo ela, estudos prévios já apontavam frequente existência de lesões bucais em pacientes pediátricos imunossuprimidos, entre elas, estomatite herpética, eritema linear gengival, hipertrofia das parótidas, úlceras aftosas e principalmente candidíase bucal. “A Cândida albicans é o agente etiológico mais frequentemente encontrado em lesões de candidíase bucal, ocorrendo como um microrganismo comensal na cavidade bucal dos indivíduos. Entretanto, em pacientes imunocomprometidos, o microrganismo pode assumir características diferenciais de patogenicidade originando a candidíase bucal como infecção oportunista”, afirma a pesquisadora.
Senda explica também que a doença cárie ocorreu em um índice muito grande em crianças contaminadas pelo HIV, quando comparadas às não infectadas, tal ocorrência culminou na associação da levedura Cândida com a cárie, uma das bases da pesquisa. “Talvez a frequência da cárie nas crianças analisadas se explique pela dieta hipercalórica e pelo alto teor de sacarose presente nos medicamentos ingeridos pelos pacientes imunossuprimidos e por sua higiene bucal deficiente”.
Segundo a pesquisadora, a associação entre a presença de Candida spp. na cavidade bucal e a cárie dentáriafoi relatada já em alguns estudos que mostraram que a C. albicans foi mais prevalente em biofilme dental e saliva de crianças cárie-ativas do que em crianças livres de cárie, levando-se a se questionar sobre a possível participação da levedura no desenvolvimento do processo carioso.
A especialista ressalta ainda que a pesquisa propôs a análise da colonização de Candida spp. no biofilme supragengival das crianças infectadas pelo vírus HIV, além da análise in vitro do potencial de desmineralização das tais leveduras no esmalte dental. “Nossos resultados demonstraram que 82% das crianças infectadas examinadas apresentavam cárie, e muitas delas possuíam grande quantidade de lesões cariosas iniciais, tais como manchas brancas ativas e lesões cariosas cavitadas em esmalte”.
“Os resultados do estudo foram satisfatórios e novas pesquisas serão desenvolvidas para que se possa comprovar o potencial cariogênico e elucidar a exata participação dessas leveduras no desenvolvimento da cárie, o que será de grande valia para o controle da doença nos pacientes infectados pelo HIV”, conclui Charone.